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O crédito aumentou menos e já aparecem distorções

As operações de crédito cresceram 1,2% em julho, menos do que em junho (2%) e do que na média dos últimos 12 meses, segundo os dados divulgados ontem pelo Banco Central (BC). O crescimento foi liderado pelos chamados empréstimos direcionados, menos sujeitos ao mercado – caso do BNDES e do crédito imobiliário -, ou das linhas de menor custo, como o crédito consignado e o crédito à aquisição de veículos. Em pelo menos um caso houve distorção na alocação de recursos.

O BNDES aumentou seus repasses em 4,7%, no mês, e em 45,4%, nos últimos 12 meses. E, como dá crédito a taxas inferiores às de mercado, atrai empresas de menor risco, deixando as demais para os bancos comerciais. Tal foi a explicação dada pelo chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes, para justificar o aumento de juros das operações livres para as pessoas jurídicas de 27,3% ao ano, em junho, para 28,7% ao ano, no mês passado ( 1,4 ponto porcentual). Uma das hipóteses para evitar a distorção seria reduzir o grau de concentração dos créditos do banco.
 
Quanto ao crédito à moradia, cresceu 4%, no mês, e 51,1%, em 12 meses, com os recursos direcionados provenientes das cadernetas e do FGTS.
 
Os dados do BC mostram aspectos positivos, como a tendência de aumento de prazos: os empréstimos com vencimento superior a três anos concedidos às pessoas físicas cresceram 3,7 pontos porcentuais, no mês, e 42,6 pontos, em 12 meses, e às pessoas jurídicas, 6,8 pontos e 50,3 pontos porcentuais, respectivamente.
 
Além disso, as operações com cheque especial reduziram-se de 3,2%, entre junho e julho, crescendo apenas 1,1% em 12 meses. É um indicativo de prudência, pois seu custo em média foi de 167,3% ao ano, 2,2 pontos porcentuais acima do de junho. Também diminuíram as operações de leasing de veículos, de 3,1%, no mês, e 15,3%, em 12 meses – provavelmente, em parte, por dificuldades de rescisão contratual.
 
As modalidades mais baratas foram mais atrativas não só para as pessoas jurídicas, mas para as físicas que adquiriram veículos a prazo, pagando juros médios de 24% ao ano, ou tomaram empréstimos consignados em folha de pagamento, ao custo médio de 26,8% ao ano, inferior ao de 27,1% ao ano registrado em junho.
 
Mas, não fosse o avanço do crédito direcionado, a expansão dos empréstimos teria sido menor em julho. Provavelmente, a relação crédito/PIB, de 45,7% em junho, não teria crescido para 45,9%. Será melhor que o crédito continue a crescer dependendo menos de recursos carimbados.
 

Veículo: O Estado de S.Paulo 25/08/2010