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Juro de linha de crédito de curto prazo dispara

A alta das taxas de juros para linhas de crédito de curto prazo, até agora, não inibiu as empresas de tomar empréstimos. Entre essas linhas, mais caras por apresentarem maior risco, estão: conta garantida e hot money. Para os otimistas, esse cenário tende a permanecer, com as taxas se acomodando e empresários investindo para suprir a inevitável demanda das festas de fim de ano. Aqueles que não vêem um cenário tão favorável acreditam que logo teremos uma baixa na procura por essas linhas, como em qualquer outro produto com o preço em alta.

A favor dos otimistas, estão os saldos das operações. Conta garantida acumula, em julho, um total de R$ 31,7 bilhões em concessões, alta de 17,1% no ano e 19,2% nos últimos doze meses. Hot money possui estoques, em julho desse ano, de R$ 715 milhões, crescimento de 33,4% nos últimos doze meses, apesar de uma ligeira queda no início do ano e em março, que provocou uma baixa de 21,6% no ano, o trimestre seguinte voltou a se aquecer, com alta 33,4%.

Os juros para essas linhas são o campeão e o vice, respectivamente, das altas, com 70,7% ao ano e 50,7% ao ano, em julho. Para os analistas consultados pelo DCI, a ´liderança´ dessas modalidades se dá por serem as que mais comportam riscos ao banco.

Segundo o analista de instituições financeiras da Austin Ratings, Luís Miguel Santacreu, o capital de giro e a conta garantida são linhas que fazem parte do ciclo natural de financiamento das empresas, com prazos de recebíveis menores que os de pagamento, e por isso a necessidade de buscar com o banco financiamentos de curto prazo. “Essa elevação dos juros pode acabar sendo repassada ao preço da mercadoria ou serviço”. Ele explica que o juro é o reflexo da dificuldade maior de captação de recursos dos bancos, com instituições externas com falta de liquidez e alta volatilidade das ações. Mas acredita que a economia interna está ativa e segue aquecida. “As empresas estão investindo e não há muitas opções para buscar capital. O mercado interno acaba sendo praticamente a fonte única.”

A linha de capital de giro obteve saldo de R$ 18,1 bilhões em julho, com um crescimento nas operações de 40,5% em 12 meses e 0,9% no ano. Os juros aplicados nesses períodos sofreram uma alta de 4 pontos percentuais, chegando a 32,1% ao ano.

O economista-chefe do banco ABC Brasil, Luiz Otávio de Souza Leal, analisando o mesmo pano de fundo inicial, de falta de fluidez no mercado externo, e também elementos do mercado interno, como a decisão de cobrar Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros (IOF) sobre operações de leasing e debêntures, vê o futuro de forma diferente. Segundo ele, houve grandes mudanças desde o ano passado e os bancos grandes optaram por correr menos riscos, o que puxou as taxas para cima.

Ele explica que quanto mais curto o prazo de uma linha e mais arriscada ela for, mais cara será, e por isso a alta acima da média nas taxas de capital de giro. Ele explica que o que difere o capital de giro da conta garantida é a estrutura das operações. Enquanto na primeira, o cliente determina o valor e o prazo da aplicação, e por isso conhece os riscos envolvidos, a segunda é mais incerta por funcionar como uma conta empréstimo ligada à conta corrente. “Se o credor deixa esse dinheiro disponível ao tomar, perde por não aplicá-lo. Se o aplica e o tomador necessita de caixa, o banco perde por ter que buscar recursos para esse cliente. Os risco é maior, por isso o custo embutido na operação também.”

“Os juros são um preço como outro preço qualquer. Se for maior do que o consumidor estiver disposto a pagar, vai diminuir a demanda e isso, sem dúvida, é um fator inibidor na hora de tomar o crédito.”

Para ele, a tendência das empresas é buscar outras fontes para se financiar ou diminuir seu ritmo de crescimento e adequar seu fluxo de caixa. “Essa segunda situação é a que ocorre na pequena e média empresa, que não conseguem recorrer a outras fontes de financiamento, como desconto de duplicatas e promissórias.”

Sazonalidade

Ambos os analistas acreditam em um aquecimento da economia para as festas de fim de ano, porém em níveis diferentes. Para Santacreu, o comércio e indústria deve investir para aumentar estoques e suprir a demanda da temporada. “A indústria e o comércio necessitam buscar meios para aproveitar essa época do ano, por isso não deve haver desaquecimento”, diz.

Souza Leal pensa que tudo depende do grau de confiança do empresário e cita um estudo da Fundação Getulio Vargas, que conclui que há uma expectativa bastante positiva em relação a isso. “Deve haver uma busca por crédito, mas tudo vai depender da perspectiva de vendas de cada um.” Ele conclui dizendo que os riscos são maiores que no ano passado. “Em 2007, todos sabiam que o natal ia ser muito bom. Hoje é mais arriscado.”

Veículo: DCI Capa 3/8/08 Estado: SP