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Empresas europeias têm mais dificuldade que as americanas

As companhias europeias, consideradas o risco mais alto para os defaults relacionados a dívidas, deverão ser atingidas de forma mais contundente do que as empreasas norte-americanas devido à qualidade inferior de seus empréstimos, de acordo com os analistas.

As empresas têm cada vez mais difículdade para refinanciar as dívidas, uma vez que as vias de financiamento tradicionais foram fechadas como resultado da crise de crédito. Mas na Europa o problema é mais agudo. Os prêmios exorbitantes que os investidores estão exigindo para comprar um novo título de dívida tiraram as companhias com classificação “junk” do mercado de títulos.
 
Nenhuma empresa com a classificação “junk” foi vendida na Europa em mais de 18 meses. Muitas companhias enfrentam o mercado mais desenvolvido dos Estados Unidos. Isso acaba com uma fonte importante de refinanciamento para reforçar o balanço. Na ausência de refinanciamento, elas ficam com opções limitadas para refinanciarem suas dívidas.
 
De acordo com Willem Sels, diretor de estratégia para crédito do banco de investimento alemão Dresdner Kleinwort, muitas vão tentar renegociar os termos dos empréstimos com seus bancos quando queda nos ganhos as fizerem violar tais termos, chamados de cláusulas de empréstimo. Essas cláusulas, acrescentadas a documentos relacionados a empréstimos e títulos, permitem que os investidores dêem calote caso as proporções financeiras estipuladas sejam quebradas.
 
Frequentemente, uma violação ocorre porque uma companhia não obteve ganhos mínimos. Com a recessão se ampliando e se aprofundando, os analistas de crédito esperam que a incidência de violações de cláusulas dêem um salto.
 
A Cattles, problemática financiadora britânica de créditos de alto risco (subprime), disse ontem que violou as cláusulas de empréstimos e que divulgaria uma perda significativa no balanço de 2008. A instituição disse anteriormente que manteria conversações com seus bancos e outros credores europeus e americanos para renegociar uma dívida de US$ 3,6 bilhões.
 
A agência de rating Moody””s Investors Services previu em um relatório ontem que 22,5% das companhias europeias com baixa classificação deverão dar o calote em suas dívidas até o final do ano, em comparação com a taxa de 2,7% em fevereiro. Em contraposição, os calotes nos EUA vão subir para 13% no ano todo.
 
O Dresdner Kleinwort disse em uma relatório publicado esta semana que prevê “uma aceleração iminente dos calotes”.
 
Sels do Dresdner afirmou que a diferença entre as taxas de inadimplência observadas nos EUA e na Europa é resultado da qualidade inferior dos empréstimos alavancados europeus.
 
Segundo a Moody’s apenas quatro companhias europeias deixaram de honrar suas dívidas este ano: a companhia de seguros irlandesa Ballantyne, o banco russo Finance Leasing, a fabricante de produtos químicos holandesa LyondellBasell Industries e o dinamarquês Fionia Bank.
 
Outra empresa que está sob os holofotes do mercado é a alemã HeidelbergCement. Na última sexta-feira, a Standard & Poor’s revisou para baixo a classificação de crédito da companhia de B para B-, agravando ainda mais a situação dela.
 
 
  
Veículo: Gazeta Mercantil