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Eike Batista espera levantar R$ 9,9 bi com empresa de estaleiros

Abertura de capital da OSX, marcada para 19 de março, pode se tornar o segundo maior IPO da Bovespa

Débora Thomé 

Uma “Embraer dos mares”. Assim, orgulhosamente, o empresário bilionário Eike Batista referiu-se à OSX, empresa de construção naval do seu grupo, na apresentação para agentes do mercado financeiro. Ontem a empresa anunciou que fará sua oferta inicial de ações (IPO) na Bovespa no próximo dia 19. Se as ações forem todas adquiridas no preço máximo, incluindo o lote adicional, poderá se tornar a segunda maior abertura de capital do País, alcançando R$ 9,9 bilhões, ficando atrás apenas do Santander, com R$ 14,1 bilhões, em outubro 2009.
 
A aposta da nova empresa do grupo EBX, segundo ficou claro na apresentação aos investidores, repete o modelo que vem sendo aplicado nas demais empresas de Eike: um time de primeira linha, um projeto arrojado e um IPO grande o suficiente para garantir os investimentos.
 
A OSX já nasce com 48 plataformas contratadas pela OGX, a petroleira do grupo de Eike e chamada de “empresa-irmã” pelo diretor financeiro do grupo, Roberto Monteiro. E com um contrato de venda de 10% da divisão de estaleiros para a coreana Hyundai Heavy Industries, com direito a intercâmbio de tecnologia. Além desse braço, a companhia terá também uma divisão de leasing e uma de serviços. Atualmente, o controle está com a EBX, mas o plano é de que 40% sejam negociados na abertura de capital.
 
A previsão é de que as plataformas construídas no estaleiro comecem a ser entregues em 2013. Seriam quatro no primeiro ano e sete em 2014. Em 2016, esse número chegaria a 13. Em dez anos, apenas para a OGX, seriam 48, com um custo de cerca de US$ 30 bilhões. A estimativa da própria empresa é que, no Brasil, no período, serão construídas 182 plataformas para atender à demanda total, incluindo as regiões do pré-sal.
 
PROCURA
 
“O mercado está demandante”, afirmou Monteiro, comentando as novas fronteiras do petróleo no País, durante o road show. Paulo Mendonça, presidente da OGX, que também participou da apresentação disse que o próprio grupo deve encomendar mais equipamentos. “Nós podemos precisar de muito mais (plataformas)”, afirmou O estaleiro da OSX, com 3,2 milhões de metros quadrados, será construído na cidade de Biguaçu, em Santa Catarina, a 20 minutos de Florianópolis. Segundo a apresentação, será o “maior estaleiro das Américas”, com capacidade para processar 220 mil toneladas de aço. De acordo com o diretor de operações, Luiz Eduardo Carneiro, os investimentos serão da ordem de U$ 1,7 bilhão. A expectativa é de que, já no segundo semestre, as licenças sejam liberadas e as obras comecem.
 
Liderando o grupo, estão três altos ex-funcionários da Petrobrás: Rodolfo Landim, que foi diretor da estatal e é o presidente da OSX; Eduardo Musa, engenheiro-chefe, e Luiz Eduardo Carneiro. Todos eles permaneceram, pelo menos, 20 anos na estatal do petróleo. Como é hábito, isso foi incluído e destacado na apresentação aos operadores de mercado como forma de mostrar a solidez da companhia, que vai ao mercado ainda sem ter a execução de nenhum de seus projetos.
 
Por isso mesmo, apenas investidores qualificados, ou seja, que têm “apetite ao risco”, poderão adquirir lotes da OSX. O investimentos mínimo é de R$ 300 mil, e o máximo, de R$ 1 milhão. No próprio prospecto, a empresa chama a atenção para o “alto risco” da oferta de ações.
 
Nas outras vezes em que foi a mercado fazer a oferta de ações, as empresas de Eike conseguiram sempre mais de R$ 1 bilhão. A mineradora MMX alcançou R$ 1,1 bilhão. A de energia, MPX, chegou aos R$ 2 bilhões, e a OGX aos R$ 6,7 bilhões (à época, o maior da história). Se captar tudo que espera com o IPO, a OSX chegaria à bolsa com um valor de mercado de R$ 20,8 bilhões, segundo cálculo feito pela Economática.

Veículo: O Estado de S. Paulo 03/03/2010