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Crédito emergencial perde participação

Passado quase um ano da crise, o crédito para as pessoas físicas volta a ter um perfil mais próximo ao visto antes da turbulência internacional. Os empréstimos destinados ao consumo voltaram a ficar mais baratos e longos, com o avanço do consignado e do financiamento de veículos, e recuperaram terreno em relação as linhas emergenciais, tais como cheque especial e o rotativo do cartão de crédito.

No fim do primeiro semestre a situação praticamente se normalizou. As linhas de curtíssimo prazo voltaram a representar 60,2% do total das liberações de recursos para pessoas físicas, mesmo patamar visto em meados de 2008. Por outro lado, os empréstimos pessoais, que incluem o consignado e o crédito direto ao consumidor (CDC), passaram a responder por um terço das concessões mensais, de acordo com dados do Banco Central.
 
No auge da crise, no fim do ano passado, a média diária das concessões mensais para empréstimos de curtíssimo prazo chegou a atingir 68% do total, indicando que as pessoas precisaram recorrer aos empréstimos de última hora para o consumo ou mesmo para quitar dívidas, já que os bancos estavam num momento de forte restrição de crédito. Prova disso é que as linhas mais longas e baratas recuaram de 32,8% do montante mensal destinado às famílias, em julho do ano passado, para 24,7% em dezembro.
 
“Estamos voltando ao que tínhamos antes e em algumas linhas, como veículos, estamos bem fortes”, disse Adalberto Savioli, presidente da Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento (Acrefi).
 
Essa mudança no perfil de endividamento vem acompanhada de taxas mais baixas e prazos mais longos. O juro médio cobrados pelos bancos já recuou 12,3 pontos percentuais neste ano, fechando o mês de junho em 45,6% ao ano. Já o prazo médio atingiu 484 dias, bem próximo dos 492 dias visto antes da crise.
 
Segundo Savioli, os dados econômicos apontam uma situação mais confortável para a concessão de crédito, com o desemprego recuando e as taxas de inadimplência praticamente estabilizadas. “O segundo semestre já está bem melhor e os atrasos devem começar a recuar no último trimestre desse ano.”
 
Segundo Marcio Ronconi, vice-presidente do Banco Fibra a quantidade de concessões mensais no segmento de varejo da instituição já está no mesmo patamar do ano passado, mas os valores de cada operação ainda estão cerca de 20% menores do que no ano passado.Ronconi destaca ainda que os planos médios hoje ainda estão um pouco mais curtos. O Fibra atua nesse segmento por meio de parcerias comerciais com empresas para operar financiando diretamente o consumo por meio do CDC. Segundo ele, os prazos das operações recuaram de 12 meses, no ano passado, para nove meses agora nesta retomada do mercado. “Todo mês melhora um pouco e esperamos que normalize até o fim do ano.”
 
Um dos principais responsáveis por essa mudança no perfil do endividamento das famílias foi a volta do consignado. Com o retorno da margem consignável de 20% para 30% houve uma explosão de novos empréstimos. De acordo com pesquisa do Banco Central com treze dos maiores bancos que operam com crédito pessoal, as concessões mensais avançaram 22% neste trimestre, entre abril e junho, desde a mudança.
 
O financiamento para a compra de veículos também manteve o vigor mesmo durante a crise, respondendo aos estímulos fiscais do governo federal. O saldo total, incluindo as operações deleasing, registraram crescimento de 14,7% nos últimos doze meses, chegando a R$ 149,5 bilhões. Além disso, alguns bancos retomaram os contratos de 80 meses. Até por conta dessa força, 56% da frota estimada de 24,4 milhões de veículos e comerciais leves com 15 anos de vida, em circulação no Brasil possui financiamento ativo, mostra levantamento feito pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef).
 
O financiamento imobiliário completa o quadro das modalidades que mais avançam neste ano. As concessões mensais para a compra da casa própria cresceram 29% no ano, para R$ 8 bilhões até junho, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades de Crédito Imobiliário e Poupança (Abecip).
 
O retorno dos bancos médios também colaborou com a retomada dos empréstimos. “Banco médio perde dinheiro se não fizer crédito, porque a nossa captação é mais cara do que os títulos de mercado”, afirma Renato Oliva, presidente da Associação Brasileira de Bancos (ABBC).
 
As perspectivas para este segundo semestre são de melhora mais acentuada da economia o que levou a Acrefi a elevar a expectativa de expansão do crédito em 2009 para 15%, superior aos 10% previstos no início do ano. A pesquisa periódica da Federação Brasileira de Bancos (Febraban), realizada em agosto, também apontou elevação da previsão para o desempenho das carteiras de pessoas físicas, passando de 15,3%, no levantamento de junho, para 16,2%, em agosto.
 
A economista-chefe de Banco Fibra, Maristella Ansanelli, alerta, no entanto, que os indicadores de atividade econômica têm sinalizado perda de força do ritmo de recuperação da indústria e manutenção do ritmo de crescimento das vendas no comércio. “Fruto do esgotamento dos estímulos fiscais ou do fim de um ciclo de recomposição de estoques, o fato é que o ritmo de crescimento da indústria no segundo semestre deve ser menor do que no primeiro. O que não interrompe o movimento de retomada, mas também não acelera o processo de fechamento do hiato do produto”.
 

Veículo: Valor Econômico