Portugal é confirmado presidente da Febraban

Visto por colegas como tecnocrata eficiente, Murilo Portugal também tem bom trânsito no governo

A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) confirmou ontem o nome de Murilo Portugal para a presidência da entidade. Portugal deve tomar posse na terceira semana de março, após aprovação do novo estatuto social da Febraban em assembleia geral. Fabio Barbosa, do Santander, que preside a entidade desde 2007, vai permanecer por mais três anos na presidência do conselho. Portugal, que já ocupou diversos cargos na área econômica do governo, estava no Fundo Monetário Internacional (FMI) desde 2006. 

O processo de seleção do novo presidente da Febraban, a cargo da empresa de "head hunting" Spencer Stuart, se estendeu por quase um ano - embora a demora na escolha seja considerada natural por profissionais da área de recrutamento, dada a relevância do posto. Nos bastidores, porém, a dificuldade para se chegar a um consenso quase fez os bancos abandonarem a ideia de profissionalizar a gestão da entidade. "O Murilo [Portugal] apareceu na reta final", diz o atual presidente, Fabio Barbosa. "Estamos muito satisfeitos. Ele tem estatura para o cargo e seus desafios", ressalta.
Portugal é visto no mercado como um tecnocrata, mas no sentido "weberiano" de eficiência e racionalidade. Seus conhecimentos sobre economia e a capacidade de transitar por diferentes governos são algumas das qualidades apontadas por aqueles que o conhecem. É bom orador e, na vida privada, cultiva hábitos simples - à exceção do apreço que tem por vinhos.

À frente da Febraban, Portugal terá, entre outros desafios, o de dar continuidade à imagem mais amena da entidade talhada ao longo da gestão de Fabio Barbosa, uma imagem mais "pró-sociedade", nas palavras de uma fonte próxima. Barbosa destaca que a Febraban vem intensificando, nesses últimos três anos, as conversas com Procon, Ministério Público e sindicatos. "É preciso manter essa postura de diálogo com a sociedade", diz Barbosa.

A decisão de profissionalizar a gestão da Febraban substitui o tradicional sistema de rodízio entre banqueiros. Paralelamente à presidência, que tem peso político, a Febraban tem um diretor-geral, Wilson Levorato, que será mantido no cargo, segundo Barbosa. O posto foi criado para assumir funções do dia a dia com a entrada de Gabriel Ferreira na presidência, em 2001.

Murilo Portugal é bacharel em direito pela Universidade Federal Fluminense e mestre em Economia na Universidade de Manchester. Cultiva boas relações com nomes importantes do governo Dilma Rousseff. Ele foi secretário-executivo do então ministro da Fazenda Antônio Palocci, hoje à frente da Casa Civil, e chegou a ser cotado para assumir a presidência do Banco Central no governo Lula, substituindo Henrique Meirelles. Os planos só não foram levados adiante por causa da queda de Palocci em meio ao escândalo da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Santos Costa.

Portugal também é próximo do atual presidente do BC, Alexandre Tombini. Entre 2001 e 2005, Tombini foi consultor especial de Portugal, então diretor-executivo do Brasil junto ao FMI.

Portugal foi secretário do Tesouro no governo Fernando Henrique Cardoso e, entre suas principais funções, estava garantir um equilíbrio mínimo das contas públicas em uma época em que ainda estavam sendo construídas ferramentas institucionais como a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Exercendo firme controle dos gastos na boca do caixa, ele ficou conhecido como "sr. No" por negar pedidos de parlamentares e colegas de governo.
Deixou o governo em 1998 para se tornar o representante brasileiro no FMI, substituindo Alexandre Kafka, então com 82 anos, bastante respeitado no Fundo. Hoje, o economista Paulo Nogueira Batista Jr. é o representante brasileiro no Fundo. Em 2006, Portugal assumiu o cargo de vice-diretor-gerente do organismo, aceitando convite do então diretor-gerente Rodrigo de Rato.