Itaú Unibanco lucra R$ 3,5 bi com crédito e serviços

Calderon, do Itaú Unibanco: Sem risco de perder participação no financiamento de veículos, segmento em que lidera

O avanço do crédito, das receitas com prestação de serviços e a evolução da margem financeira foram os destaques no desempenho do Itaú Unibanco, no primeiro trimestre. A instituição reportou lucro líquido de R$ 3,53 bilhões, superando em 9,1% os R$ 3,23 bilhões verificados um ano antes. O lucro líquido recorrente avançou a R$ 3,64 bilhões, ante os R$ 3,17 bilhões apresentados no mesmo intervalo de 2010, com retorno anualizado sobre o patrimônio de 23,4%.

A carteira de crédito, incluindo avais e fianças, totalizou R$ 344,85 bilhões, o que representou uma evolução de 21,9% em relação a março de 2010. Em bases anuais, o maior crescimento foi observado na carteira de pessoa jurídica ( 24,2%), a R$ 201,5 bilhões, com destaque para as operações destinadas às micro, pequenas e médias empresas, com alta de 28,8%, a R$ 86 bilhões. Já o portfólio de pessoa física avançou 18,6% no mesmo período, a R$ 128,7 bilhões, com um salto de 61,8% no financiamento imobiliário, que chegou a R$ 9,3 bilhões, seguido por cartões ( 21%) e crédito pessoal ( 24,1%, incluindo consignado).

Segundo o diretor corporativo de controladoria, Rogério Calderon, a projeção para o crescimento da carteira de crédito não requer revisão e o banco manteve um intervalo entre 16% e 20% para o ano. Não que as medidas de aperto promovidas pelo governo desde dezembro não venham surtindo efeito. O maior impacto foi observado, por exemplo, na carteira de veículos, cuja originação, em R$ 6,2 bilhões, caiu 30% em relação ao último trimestre de 2010 e 15% na comparação com os três primeiros meses do ano passado - vale lembrar que a base é alta, sob o efeito da isenção do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI).
 
"Em veículos, o banco tem uma base formada, estável, e daí se percebe nitidamente que não houve crescimento dos saldos e sim até uma pequena redução." De dezembro a março, o portfólio encolheu 0,4%, a R$ 59,9 bilhões e em 12 meses cresceu 10,6%, mas Calderon diz que não há risco de perda de participação no mercado, pois a instituição lidera a concessão tanto no CDC quanto no leasing. De acordo com os dados do Banco Central (BC), no trimestre, o saldo das operações de financiamento de veículos no mercado cresceu 2,4% e na comparação com março do ano passado houve alta de 17,3%.

Na carteira de crédito pessoal é o consignado que tem ganhado relevância, com avanço de 8,2% no trimestre e de 28,2% na comparação com março de 2010.

Calderon reiterou que o banco vê um cenário de leve deterioração nos níveis de inadimplência nos próximos meses, como reflexo das novas condições macroeconômicas e das medidas do governo para diminuir a velocidade do crédito.

A expectativa da administração é de um aumento entre 0,2 e 0,3 ponto percentual no índice de atrasos superiores a 90 dias, que fechou março em 4,2% - estável na comparação com dezembro. Com a elevação das operações em atraso entre 30 e 60 dias ( 0,3 ponto percentual, a 5,3%), o Itaú decidiu reforçar as provisões de créditos de liquidação duvidosa, elevando em R$ 527 milhões a provisão complementar.

Na carteira de pessoa jurídica, a inadimplência - considerando atrasos superiores a 90 dias - subiu de 2,9% para 3,1% de dezembro para março, na contramão da queda - de 5,8% para 5,7% - no segmento de pessoa física.

O desempenho é atribuído a uma maior participação de micro, pequenas e médias empresas - segmento em que os atrasos costumam ser mais altos - na composição do mix de crédito.

As receitas de prestação de serviços também foram engordadas pelo crédito, com as tarifas associadas a essas operações e às garantias prestadas crescendo 18,5% em 12 meses, a R$ 778 milhões. As rendas com cartões, que refletem, em boa medida, as parcerias do Itaú com as redes de varejo, tiveram aumento de 13,8%, a R$ 1,7 bilhão. No conjunto, as rendas aumentaram 11,1% de março do ano passado para cá, a R$ 4,5 bilhões.

Já a margem financeira com clientes teve incremento de 17,2% em 12 meses, a R$ 10,8 bilhões.

Sobre a intenção do Itaú em participar da disputa pelo Banco Postal, Calderón informou que há interesse, mas que antes de tomar uma decisão, o banco ainda avalia as condições da licitação para a prestação de serviços em agências dos Correios.

Veículo: Valor - 04/05/2011