IOF: associações de leasing e consórcio são cautelosas quanto ao impacto da alta

Embora os especialistas estejam divididos sobre os efeitos da alta do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) nas operações de crédito, o Governo espera alguma elevação no custo do crédito para pessoa física para conter o consumo e diminuir as pressões sobre a inflação. Se o cenário esperado se concretizar, operações com leasing e consórcios podem ser boas opções para os consumidores mais pacientes que não estão dispostos a pagar mais caro para adquirir algum bem.

Contudo, a Abel (Associação Brasileira de Empresas de Leasing) e a Abac (Associação Brasileira de Administradoras de Consórcios) estão cautelosas em afirmar que pode haver uma migração dos consumidores do CDC (Crédito Direto ao Consumidor) para as duas modalidades de crédito, uma vez que elas não são afetadas pela alta do imposto.
 
Migração

“Como cerca de 45% das comercializações são feitas via CDC pode haver algum impacto, mas se você coloca na ponta do lápis esse impacto é mais psicológico”, avalia o presidente da Abac, Paulo Roberto Rossi, sobre o aumento de 1,5% ao ano para 3% ao ano do imposto. “Com isso, pode até ter uma migração para o consórcio, mas de quanto será esse impacto, ainda não sabemos”, avalia.
Para o presidente da Abel, Osmar Roncolato Pinho, com a alta do imposto, os produtos ficarão mais competitivos. “Nesses patamares de IOF, a concorrência ficará no mesmo nível”, afirma. Pinho lembra que quando o IOF para o crédito era maior, houve uma forte migração para o leasing. Contudo, hoje, ele acredita que a migração dependerá muito do perfil do consumidor.
 
Impactos de médio e longo prazo

Para Rossi, um consumidor que não tem o hábito de planejar uma compra ou mesmo que precisa logo do carro, dificilmente migrará para o consórcio por causa do aumento do imposto. A esse contingente de consumidores, ele soma os emergentes, que não querem esperar para comprar o carro.
“O Governo tem um desafio de controlar essa massa de consumidores ávidos por consumo”, afirma Rossi. “Por outro lado, esses consumidores podem começar a pensar mais a médio e longo prazo. Como o País está passando por um bom momento, apostamos que o consumidor incorpore mais essa questão de planejamento financeiro”, acredita o presidente da Abac.
 
Quanto ao leasing que, segundo os dados da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras), registrou queda em fevereiro, Pinho não acredita que possa haver uma migração forte a médio e longo prazo, ainda que o produto permita que os consumidores tenham o bem de imediato.
 
Sem efeitos para a inflação

A Acrefi  (Associação Nacional das Instituições de Crédito, Financiamento e Investimento) emitiu nota dizendo que embora a iniciativa do Governo vise o controle do consumo e redução da inflação, sem um aumento da austeridade fiscal, o impacto da elevação do IOF sobre a inflação será limitado. 

Veículo: Infomoney - 11/04/2011