BNP Paribas amplia áreas de atuação no país

O banco francês BNP Paribas está reforçando suas apostas no Brasil. São três as novas frentes de atuação: oferta de empréstimos corporativos considerados mais básicos, como desconto de duplicatas e antecipação de recebíveis, financiamento de estoques de commodities e, na área de tesouraria, derivativos de ações.

Em 2010, o BNP Paribas registrou lucro líquido de R$ 214 milhões, 14% inferior ao resultado de 2009. A área de tesouraria, que responde por cerca de metade das receitas do banco, apresentou desempenho abaixo do previsto. "O ano de 2009 foi excepcionalmente bom para a tesouraria por conta da alta volatilidade, por isso a comparação fica mesmo prejudicada", justifica Louis Bazire, presidente do banco no país. Além disso, a valorização do real afetou as receitas em moeda estrangeira.

As operações de crédito, em compensação, tiveram aumento de 20% em 2010 na comparação com 2009, para R$ 3 bilhões (saldo da carteira, líquido de provisões). Operações de leasing financeiro, linhas de Adiantamento sobre Contratos de Câmbio (ACC) e garantias prestadas foram os destaques.

É justamente a área de crédito uma das que mais devem ser fortalecidas nos próximos anos. Nas linhas de curto prazo, a ideia é "entrar na briga e tentar conseguir um pedacinho desse mercado" entre as empresas de grande porte, com as quais o banco já mantém relacionamento. "Mas não vamos entrar em guerra de preço", avisa Bazire. O objetivo é ocupar espaço com qualidade na execução da operação e rapidez na decisão.

No setor de commodities, a tarefa de ganhar participação de mercado tende a ser mais fácil, já que é um mercado menos explorado no país, segundo Bazire. Não se trata do crédito agrícola tradicional. São financiamentos de estoques feitos por meio da compra da própria mercadoria, que depois é revendida a uma trading. Só entram na lista de produtos "financiáveis" commodities e semitransformados que tenham cotação internacional. Pouco usual no mercado brasileiro, essa modalidade é operada lá fora pelo BNP Paribas há 20 anos.

A primeira operação desse tipo no Brasil feita pelo BNP deve ser fechada em dois meses. Em 2010, a área de commoditie rendeu apenas US$ 10 milhões em receitas. A meta é multiplicar por cinco esse volume até 2013. "Mas tudo vai depender do apetite das empresas", pondera Bazire.

A equipe de commodities foi reforçada e passou de duas para dez pessoas de meados do ano passado para cá, quando a área começou a ser estruturada. Foram trazidos também três especialistas em "hedge" de commodities de Nova York. Até 2013, o plano é que a equipe dobre de tamanho e passe a ter 20 profissionais.

Tradicionalmente, o BNP tem forte atuação na área de captações externas e empréstimo sindicalizados (com a participação de vários bancos). Entre os destaques de 2010 estão um empréstimo sindicalizado de US$ 1,1 bilhão para a Odebrecht Óleo e Gás e outro de US$ 1 bilhão para a Embraer.

Veículo: Valor - 16/03/2011