Empresas vão ter que se explicar muito mais, diz auditor

Não são apenas os lucros que devem crescer com a adoção do padrão contábil IFRS. As notas explicativas que acompanham os balanços também aumentarão de forma significativa e, em muitos casos, vão dobrar de tamanho, afirma Bruce Mescher, sócio de auditoria da Deloitte e especialista em normas internacionais de contabilidade.

Até as empresas que já publicaram resultados trimestrais em IFRS ao longo de 2010, que ele calcula como cerca de 20% do total, deverão notar a diferença.

Isso porque a norma internacional é mais exigente em termos de divulgação de informações quando se apresenta o balanço completo.

Quando questionado sobre a probabilidade de haver erros e republicações, o sócio da Deloitte chamou atenção para o papel que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) terá a esse respeito, principalmente com as primeiras divulgações no novo padrão. "É razoável achar que haverá alguns problemas, mas especular sobre a extensão deles é quase impossível", afirma Mescher.

Ele também diz que as auditorias estão trabalhando para garantir a consistência de julgamentos para interpretações de normas dentro de um mesmo setor, mas admitiu que não é possível evitar, com 100% de certeza, que haja tratamentos contábeis diferentes para eventos semelhantes.

Tendo em conta a experiência internacional, ele acredita que, no primeiro momento, haverá companhias que vão se restringir ao mínimo necessário em termos de divulgação.

Na Europa, uma das críticas nos primeiros anos de adoção do IF RS era referente à descrição de práticas contábeis, que costumam aparecer na primeira nota explicativa. "As empresas usavam palavras padrão. E as práticas contábeis não são necessariamente idênticas. Isso exige mais customização."

Outro ponto que gerou discussões no exterior está ligado à divulgação de informações por áreas de negócio. "A tendência natural é não querer abrir receitas e resultados por segmento."

O sócio da Deloitte destaca que as companhias não devem assumir que os usuários das informações estão completamente prontos para entender a nova norma e devem ter o cuidado de explicar, para investidores e analistas, de onde vieram as diferenças contábeis. "As empresas devem esperar mais perguntas e ajudar com as informações históricas." (FT)

Veículo: Valor - 10/02/2011