Economistas temem pelo endividamento das famílias

As vedetes do crédito para 2011 estão todas concentradas no consumo das famílias. "Crédito consignado, financiamento de veículos e empréstimos para compra da casa própria são, sem dúvida, os que mais vão crescer no próximo ano", prevê Rogério Calderón, diretor corporativo de controladoria do Itaú Unibanco.

Segundo números da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), o Brasil contabilizou a venda de 2,8 milhões de veículos nos dez primeiros meses do ano, uma evolução de 8%, índice que deverá ser mantido até o fim de 2010.

Boa parte desses veículos foi comprada a prazo. Dados da Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef) revelam crescimento de 15,5% no saldo das carteiras de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e leasing em setembro. O CDC foi o destaque, com expansão de 42,5% em setembro, para R$ 125 bilhões. Já a carteira de leasing teve retração de 21%, para R$ 50,7 bilhões. A expectativa da Anef é de alta de até 15% no volume das carteiras em 2010.

Um assunto que divide a opinião dos especialistas, mas que preocupa a todos, é quanto ao endividamento das famílias. Muitos acreditam que estas já estejam muito endividadas, o que pode comprometer a qualidade da carteira de crédito no futuro. "Temos de entender melhor o perfil dos clientes com renda até R$ 3 mil e ter um modelo de gestão diferenciado", diz Walter Malieni, diretor de crédito do Banco do Brasil.

Segundo o estudo Economia Brasileira em Perspectiva, divulgado pelo Ministério da Fazenda em outubro, o endividamento das famílias brasileiras é um dos menores do mundo em comparação ao Produto Interno Bruto (PIB). Crédito imobiliário e consumo respondem por 29,3% da renda. Na Itália, por exemplo, essa proporção chega a 72,1%, na Alemanha a 98,3% e nos EUA, a 131,6%.

Seis anos atrás, contudo, o endividamento brasileiro era a metade disso. "O que realmente deve ser levado em consideração é o quanto a dívida pesa no orçamento mensal, e não em relação ao PIB", diz o economista Luiz Rabi, da Serasa Experian. Sob essa perspectiva, o Brasil já supera o endividamento do americano, com 24%, contra 17%, afirma a Serasa. "Nosso comprometimento da renda é maior em razão de o Brasil ter a maior taxa de juros do planeta. Se o endividamento continuar crescendo neste ritmo podemos ter problemas de inadimplência sérios no futuro", ressalta o economista da Serasa.(D.B.)

Veículo: Valor - 11/11/2010