Grupo Silvio Santos injeta R$ 2,5 bilhões no PanAmericano

SÃO PAULO – O Grupo Silvio Santos fará um aporte de R$ 2,5 bilhões no Banco PanAmericano, segundo fato relevante divulgado há pouco pela instituição financeira.

Os recursos serão obtidos mediante uma operação financeira contratada com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) e integralmente garantida por bens do patrimônio empresarial do grupo. O aporte será feito por meio de crédito na conta “Depósito de Acionista". Entre as empresas do Grupo Silvio Santos estão a rede de televisão SBT, o comércio de carros Vimave, a Liderança Capitalização e o hotel Jequitimar.

Segundo o comunicado, o banco firmou um “Termo de Comparecimento” com o Banco Central após terem sido encontradas “inconsistências contábeis” nos balanços, que não estariam refletindo adequadamente a situação patrimonial do banco.

Desta forma, o aporte destina-se a “restabelecer o pleno equilíbrio patrimonial e ampliar a liquidez operacional da instituição, de modo a preservar o atual nível de capitalização”, diz o documento, assinado pelo presidente do Conselho, Luiz Sebastião Sandoval.

“Assim, os ajustes que estão sendo realizados nesta data não resultarão em perda patrimonial, vez que estão sendo cobertos integralmente pelo citado aporte”, acrescenta o PanAmericano.

O fato relevante informa ainda que o Conselho de Administração do banco elegeu hoje uma nova diretoria: Celso Antunes da Costa Ivan Dumont Silva (presidente), José Alfredo Lattaro, José Henrique Marques da Cruz, Raphael Rezende Neto, Celso Zanin, Eliel Teixeira de Almeida e Mário Ferreira Neto.

O banco diz ainda que vai convocar uma assembléia de acionistas para indicar novos membros para o Conselho de Administração, em função do Acordo de Acionistas firmado recentemente entre o Grupo Silvio Santos e a Caixa Participações (Caixapar), que adquiriu 49% do capital votante do PanAmericano.

Segundo os balanços contábeis divulgados neste ano, o Banco Panamericano (controladora) registrou lucro de R$ 44,2 milhões no primeiro trimestre e prejuízo de R$ 20,9 milhões no segundo. O banco tem como foco operações de pessoas físicas, com cerca de dois terço dos ativos em financiamento de veículos (CDC e leasing). A carteira de varejo encolheu e a instituição perdeu depósitos durante a crise financeira mundial e teve de ceder parte da carteira de crédito para a Caixa Econômica Federal. 

Em dezembro de 2009, os dois bancos anunciaram acordo pelo qual a CaixaPar, subsidiária da CEF, comprou 49% do capital com direito a voto do banco PanAmericano - operação aprovada pelo Banco Central em julho de 2010. A Caixa pagou R$ 739,27 milhões pela fatia, que também incluiu uma participação de aproximadamente 20% das ações preferenciais. O acerto deu à Caixa 36,6% do capital total do PanAmericano, enquanto o grupo Silvio Santos ficou com uma fatia de 37,6%.

O PanAmericano tem recorrido a captações externas para levantar recursos. Entre as operações mais recentes, em outubro de 2009, a instituição captou US$ 200 milhões por meio de eurobônus de três anos, que pagam remuneração final (yield) de 7,25% ao ano. Em abril de 2010, emitiu US$ 500 milhões em notas subordinadas nível II com vencimento em 10 anos, cujo rendimento ao investidor é de 8,625% ao ano. E em julho de 2010 obteve US$ 300 milhões com o lançamento de Medium Term Notes de cinco anos, com yield de 5,625% ao ano.

Veículo: Valor - 09/11/2010