Benefícios compensam custos de medidas anticrise, diz Meirelles

SÃO PAULO – O presidente do Banco Central (BC), Henrique Meirelles, destacou nesta segunda-feira que os ganhos com as medidas anticrise “ultrapassam em larga margem” seus custos.

Após participar de evento promovido pela Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), em São Paulo, ele comentou que o Brasil tem se posicionado para evitar bolhas, adotando medidas como a acumulação de reservas internacionais.
“Muito se discute o custo da formação das reservas, mas este é o custo de qualquer medida prudencial. O importante é que o custo seja menor que o dano que ele protege em caso de crise”, argumentou.
Meirelles citou como exemplo as perdas com a crise de 2008. O aumento da dívida pública em alguns países, segundo o presidente do BC, chegou a 50% do Produto Interno Bruto (PIB), sem contar o impacto sobre a produção nacional.
Evitando indicar se serão adotadas medidas adicionais para enfrentar a valorização cambial, Meirelles comentou que o Brasil está combatendo a formação de bolhas de diversas formas. A mais importante delas, de acordo com ele, é pela acumulação de reservas internacionais, com o enxugamento da liquidez em moeda estrangeira e a esterilização da liquidez doméstica.
Há, ainda, a regulação prudencial do sistema financeiro. “Chegamos ao ponto de discutir medidas prudenciais macroeconômicas. No momento em que se configura excesso de liquidez de moeda externa no país, induzido pela política monetária de outro país, torna-se legítimo recorrer a medidas macroeconômicas prudenciais para proteger a economia”, afirmou.
Questionado sobre a magnitude do risco de bolha no Brasil, o presidente do BC limitou-se a dizer que “seria grande se o governo e o Banco Central não tomassem medidas”.
 

Veículo: Valor - 18/10/2010