Crise global faz Toyota reduzir meta de vendas

A Toyota Motor Corp. decidiu adiar seus planos de se tornar a primeira montadora do mundo a vender mais de 10 milhões de carros por ano, no indício mais recente de que as montadoras multinacionais se preparam para uma longa desaceleração econômica, já que as fortes vendas em mercados em desenvolvimento não estão conseguindo compensar as perdas no decadente mercado americano.

A montadora japonesa, que está perto de suplantar a General Motors Corp. como a maior do mundo em volume de vendas, informou ontem que almeja vender 9,7 milhões de carros no ano que vem, um recuo em relação �?  meta anterior de vender 10,4 milhões, estabelecida há um ano.

A meta menor representa um raro revés para a Toyota, cujas vendas saudáveis e lucros em alta nesta década pareciam tê-la imunizado contra os desafios enfrentados pelas outras montadoras, especialmente as americanas General Motors Corp., Ford Motor Co. e Chrysler LLC.

A mudança de planos também ressalta que a ameaça de estagnação da indústria automobilística mundial deve provavelmente continuar no ano que vem.

"As coisas continuam nebulosas e incertas", disse o presidente da Toyota, Katsuaki Watanabe.

Quando a Toyota anunciou a meta de vender 10,4 milhões de carros, em agosto do ano passado, a montadora estava confiante de que a demanda crescente por carros em mercados como Brasil, China, Índia e Rússia compensaria o enfraquecimento da demanda nos Estados Unidos, que azedou em meio a crise do "subprime", ou dos empréstimos imobiliários de alto risco.

Mas os últimos 12 meses renderam mais notícias negativas para a indústria do que se imaginava, dificultando para a Toyota e outras montadoras se amparar nos mercados emergentes para compensar as enormes perdas nos EUA. As vendas de picapes possantes e utilitários esportivos, antes a galinha dos ovos de ouro do mercado americano, entraram em queda livre com a alta vertiginosa da gasolina. O preço do aço e de outros materiais empregados na fabricação dos carros aumentou, corroendo os lucros. As montadoras, inclusive a Toyota, estão reservando milhões de dólares para cobrir prejuízos com leasing, diante da queda brutal no preço dos veículos usados.

Em julho, a Toyota reduziu sua previsão de vendas mundiais para este ano em 350.000 carros, para 9,5 milhões. Em 2007, ela vendeu 9,37 milhões. A Toyota espera uma melhora na demanda americana, mas não sabe quando alcançará a meta de vender mais de 10 milhões de veículos.

A Toyota reduziu para 2,7 milhões sua meta de vendas nos EUA, ante os 3,1 milhões que planejava originalmente. Mesmo com o declínio nas vendas de suas picapes e utilitários, ela continua a conquistar mercado no país graças �? s suas ofertas de veículos menores e mais econômicos e a debilidade das concorrentes de Detroit. A Toyota ficou com 16,8% do mercado americano de janeiro a julho, em comparação com 16,3% no mesmo período do ano passado.

Na Europa, ela reduziu a meta de vendas de 1,45 milhão para 1,3 milhão. Para a Ásia, a meta caiu de 1,9 milhão para 1,75 milhão. Mas no Oriente Médio, América do Sul e outros mercados a projeção de vendas aumentou de 1,55 milhão para 1,7 milhão.

Watanabe disse que, depois de anos de rápido crescimento, a Toyota poderia aproveitar este ciclo mais lento para reestruturar suas operações: enxugar e agilizar o sistema de produção nos EUA, para se ajustar �? s mudanças na demanda, e também conquistar mais espaço nos mercados emergentes, assim como desenvolver mais carros híbridos de eletricidade e gasolina e outros veículos de menor consumo de combustível.

A Toyota informou que no início do ano que vem lançará a nova geração do híbrido campeão de vendas Prius, e um novo híbrido da marca de carros de luxo Lexus, parte da sua meta de vender 1 milhão de híbridos por ano a partir de 2010.

Apesar de o foco do crescimento futuro da Toyota continuar sendo os híbridos, Watanabe disse que no início da próxima década a montadora começará a fabricar um carro elétrico, desafiando assim os planos das concorrentes japonesas Nissan Motor Co. e Mitsubishi Motors Corp. de produzir veículos elétricos em massa nos próximos dois anos.

Veículo: Valor Econômico The Wall Street Journal 29/8/08 Estado: SP