Vendas de carros novos caem

Após dez meses de expansão nas vendas, a indústria automobilística registrou retração de 12,44% no volume comercializado em junho frente ao mesmo mês de 2009, segundo dados divulgados pela Fenabrave (Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores). Foram vendidos no mês passado 262.780 unidades de automóveis, comerciais leves, caminhões e ônibus.

Para representantes do setor, depois do efeito IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), que havia levado à antecipação de compras em março - último mês em que houve o benefício do tributo reduzido para os carros -, há o efeito Copa do Mundo.
 
"Houve a postergação de negócios. Durante os dias de jogos do Brasil não tivemos licenciamentos à altura", avalia o presidente do Sincodiv-SP (Sindicato das Concessionárias de Veículos do Estado de São Paulo), Octávio Vallejo.
 
O consultor automotivo André Beer, que é ex-presidente da Anfavea (Associação dos Fabricantes dos Veículos Automotores), por sua vez, minimiza o impacto negativo do evento. Ele lembra que junho do ano passado foi uma das datas em que se encerraria o prazo da redução do tributo, o que acabou não ocorrendo, já que o governo federal estendeu a medida até março deste ano. "Por isso, naquele mês, as vendas foram muito altas", afirma.
 
Beer acrescenta que os números do mês passado estão dentro do esperado. "A média que eu projeto para esse ano é de 250 mil por mês", diz. Além disso, apesar da retração em relação há 12 meses antes, na comparação com maio, houve em junho alta de 4,65% na comercialização.
 
Nos primeiros seis meses do ano, o setor totalizou 1,579 milhão de veículos zero-quilômetros vendidos, 8,98% mais que no mesmo período do ano passado. Foi o melhor resultado para o semestre na história do segmento no País.
 
Com o incentivo do IPI menor, a recuperação do crédito e o reaquecimento da economia, o mercado automotivo reagiu neste ano, segundo dados do setor.
 
Levantamento da Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras de Montadoras) mostra que as compras financiadas vêm seguindo a tendência de alta. As carteiras de CDC (Crédito Direto ao Consumidor) e leasing para pessoas físicas chegaram em maio a R$ 166,6 bilhões, valor 14% superior ao registrado no mesmo período de 2009.

Veículo: Diário do Grande ABC 02/07/2010