Consignado turbina carteira de crédito do Banrisul

Turbinado pela aquisição de carteiras de empréstimos consignados no mercado, o estoque de crédito do Banco do Estado do Rio Grande do Sul (Banrisul) deu um salto de 25% no primeiro trimestre em comparação com o mesmo período do ano passado e alcançou R$ 14,8 bilhões. Em relação ao fim de 2009, a alta foi de 10%, um índice bem superior ao apresentado por quatro das maiores instituições financeiras do país (Banco do Brasil, Itaú, Bradesco e Santander), que registraram expansões de 1,5% a 3,1% nos últimos três meses.

O desempenho do trimestre levou o banco controlado pelo Estado do Rio Grande do Sul a rever para 28% a projeção de crescimento das operações totais de crédito no ano sobre o estoque de R$ 13,4 bilhões no fim de 2009, informou o presidente Mateus Bandeira.
A estimativa anterior era de uma alta entre 22% e 25%. No segmento comercial pessoa física, no qual se enquadra o consignado, a previsão de expansão passou de 30% para 35%.

Só a carteira comercial (que exclui câmbio, leasing, crédito rural e habitacional, linhas de longo prazo e empréstimos ao setor público) cresceu 30% no trimestre sobre o mesmo período de 2009, para R$ 11,4 bilhões.

Os empréstimos para pessoas físicas cresceram 52,2% em um ano e 18,5% em três meses, para R$ 6,5 bilhões. Deste total, R$ 2,9 bilhões correspondem ao crédito consignado gerado pelo banco (com expansão de 26,1% em um ano e 6,5% em três meses) e outros R$ 2 bilhões ao saldo das carteiras adquiridas (altas de 190,3% e 46,4%, respectivamente).

Conforme Bandeira, as aquisições responderam por um terço da taxa de crescimento do estoque total de crédito em 12 meses e faz parte da estratégia de estender essas operações de baixo risco além da base de clientes do banco.

Já a carteira comercial para pessoas jurídicas avançou menos. As altas foram de 8,9% sobre o fim de março de 2009 e de 4,2% em relação a 31 de dezembro, e até julho o Banrisul pretende colocar no mercado uma linha de empréstimos pré-aprovados para pequenas e médias empresas

Combinado com a redução dos custos de captação e a relativa estabilidade das provisões para empréstimos (que oscilou 2,2% entre o primeiro trimestre de 2009 e o de 2010, para R$ 153,5 milhões), o crescimento das carteiras permitiu ao banco obter um lucro líquido consolidado de R$ 121,9 milhões de janeiro a março, 14,4% a mais do que no mesmo intervalo de 2009. Já os ativos totais avançaram 12,7% em 12 meses, para R$ 29,9 bilhões, e o patrimônio líquido subiu 10,9%, para R$ 3,5 bilhões. A rentabilidade anualizada sobre o patrimônio foi de 14,9%.

Veículo: Valor 17/05/2010