Demanda da pessoa física por crédito recua 6% em abril, diz Serasa

O número de pessoas que procurou crédito em abril recuou 6% na comparação com março, segundo o Indicador Serasa Experian da Demanda do Consumidor por Crédito. Em relação a abril do ano passado, a demanda do consumidor por crédito avançou 12,4%, o menor ritmo de crescimento anual em quatro meses. Na comparação de 12 meses, o financiamento de veículos também continua aquecido.

O saldo das carteiras de leasing e crédito direto ao consumidor (CDC) para a compra financiada de automóveis pelas pessoas físicas fechou março em R$ 163,1 bilhões, um crescimento de 12,4% em relação ao mesmo mês de 2009, segundo dados divulgados pela Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras (Anef). Considerando apenas o CDC, a expansão foi ainda maior, de 25,2%, para R$ 101,9 bilhões.
 
A Anef ainda informou que a carteira de leasing apresentou queda de 3,9%, saindo de R$ 63,6 bilhões em março do ano passado para R$ 61,2 bilhões. A Anef prevê que as carteiras de leasing e CDC deverão encerrar 2010 com crescimento de 10% a 15% sobre os volumes de 2009, com saldo da carteira chegando a um valor entre R$ 173 bilhões e R$ 180 bilhões.
 
O recuo da demanda por crédito na comparação com março se deveu, de acordo com economistas da Serasa Experian, ao menor número de dias úteis em abril - 20 contra 23 dias no mês anterior. Eles atribuem o crescimento anual de 12,4% em relação a abril de 2009 - a menor taxa de crescimento anual desde janeiro de 2010 - a dois fatores.
 
Primeiro, a procura por crédito, que havia sido abalada no primeiro trimestre do ano passado pelos impactos recessivos da crise financeira internacional, já mostrava recuperação no início do segundo trimestre de 2009. Dessa forma, para eles, "o efeito da base fraca de comparação começa, a partir de agora, a se dissipar". Em segundo, os economistas lembram que o fim dos incentivos fiscais para a compra de veículos, em março deste ano, já deve ter produzido resultados no sentido de arrefecer o ritmo de crescimento do crédito ao consumidor. Este movimento, alegam, "deve ser complementado com a inauguração, em abril, de um novo ciclo de aperto monetário".
 
Segundo a Serasa Experian, a demanda do consumidor por crédito avançou 19,1% no acumulado dos primeiros quatro meses deste ano, recuando ligeiramente na comparação com o crescimento acumulado no primeiro trimestre de 2010 (21,6%). A tendência, aponta a Serasa Experian, é de a variação acumulada anual prosseguir em desaceleração nos próximos meses, seja pela elevação da base de comparação, a partir de abril do ano passado, seja em razão de crescimento mais brando do crédito ao consumidor esperado daqui para frente.
 
Renda
 
Houve queda nas demandas por crédito em abril em quase todas as faixas de rendimento pessoal. A exceção foram os consumidores de menor renda - ganhos mensais abaixo de R$ 500 (alta de 0,1%). De acordo com a Serasa Experian, como essa faixa de consumidores foi a que mais demorou a reagir na demanda por crédito em 2009, eles ainda apresentam, nos últimos meses, uma procura por crédito mais acentuada do que as demais faixas.
 
Porém, em relação ao desempenho mais favorável registrado nos últimos meses, os consumidores de baixa renda não lideram o crescimento acumulado anual em termos de demanda por crédito - o posto é ocupado pelos consumidores com rendimentos mensais acima de R$ 10 mil (alta 31,6% ante o 1º quadrimestre de 2009) e consumidores com rendimentos mensais na faixa entre R$ 5 mil e R$ 10 mil (variação de 22,1% no acumulado dos primeiros quatro meses deste ano).
 
Região
 
No mês de abril, o maior recuo da demanda dos consumidores por crédito foi na região Norte (baixa de 7,7%). O Centro-Oeste registrou redução de 6,8%, o Sudeste, 6,5%, o Sul, 4,6%, e o Nordeste, de 5,3%. No acumulado deste ano, a região Centro-Oeste apresenta alta de 19%, o Nordeste, 19,4%, o Sudeste, 20,8%, o Norte, 12,4%, e o Sul, 16%.
 
Veículos
 
Nos primeiros três meses do ano, o CDC foi a modalidade mais utilizada pelos consumidores para a aquisição financiada de veículos e comerciais leves, representando 40% do total vendido, segundo a Anef. As vendas a prazo por meio de leasing correspondem a 16%, o consórcio por 6% e as vendas à vista ficaram em 38%.
 
No crédito, a taxa média de juros praticada pelos bancos das montadoras associados à Anef caiu, encerrando março em 1,40% ao mês (equivalente a 18,16% ao ano), ante 1,63% ao mês (ou 21,41% ao ano) registrado no mesmo período de 2009. Em comparação a fevereiro de 2010, a taxa se mantém estável.
 
O levantamento da Anef também aponta queda na inadimplência acima de 90 dias para as operações de CDC. O índice ficou em 4% em março ante 5% no mesmo mês do ano passado. Na média, o prazo para financiamento de veículos ficou em 43 meses ante 40 meses de uma ano atrás.

Veículo: O Estado de S.Paulo 12/05/2010