Jardim Botânico investe R$ 15 milhões na Ferrolease

A Jardim Botânico Investimentos (JBI) investirá R$ 15 milhões na empresa de aluguel de vagõesFerrolease. Com isso, será sócia minoritária da companhia, criada em 2002 e com sede em Curitiba (PR).

Logo após a chegada da JBI, a empresa deverá receber mais R$ 35 milhões do InfraBrasil, fundo de de participações do Santander dedicado ao setor de infraestrutura. Os recursos devem ser colocados no negócio até setembro, após a aplicação do capital da JBI para aproveitamento de oportunidades do mercado.

Peter Jancso, sócio e gestor de fundos da JBI, explicou que o segmento de logística foi eleito como um dos prioritários para investimento. O aporte foi feito pelo JB Venture Capital I, fundo de R$ 100 milhões que já aplicou recursos na Elba, companhia de logística especializada na movimentação de cargas dentro de companhias, na MZ Consult, de serviços de relações com investidores e comunicação, e na SuperBac, fornecedora de bactérias para tratamento de resíduos. Com esse investimento, o fundo já comprometeu 60% de seu capital. O objetivo é fazer os demais investimentos até o fim do ano.

A Ferrolease foi criada em 2002, fruto de uma sociedade da Global Railroad Leasing LLC com o Grupo ATT. Administra hoje uma frota de 170 vagões.
De acordo com Jancso, o objetivo é chegar ao fim de 2011 com aproximadamente um mil vagões em operação. A expectativa é que a empresa tenha, então, um faturamento da ordem de R$ 50 milhões.

Se tudo ocorrer como planejado, o executivo acredita que a empresa poderá pensar num novo salto, seja com a entrada de um novo sócio, para mais um aporte, seja com uma possível listagem no mercado de acesso da bolsa, o Bovespa Mais. Contudo, esse plano ainda não está definido.

Jancso explicou que o modelo de negócios da Ferrolease é novo no Brasil, mas já bastante avançado nos Estados Unidos. Além dela, uma das poucas empresas que oferecem o mesmo serviço é a Mitsui, com um total de um a dois mil vagões.
Ele acredita que o aluguel de vagões será uma estratégia crescentemente adotada pelas companhias do setor de ferrovias, como forma de evitar uma grande imobilização de investimentos (com a compra de vagões) e otimizar o retorno sobre capital.

Segundo ele, o Brasil já oferece linhas de crédito que permitem planejar o financiamento para expansão do negócio da Ferrolease. Apesar da necessidade significativa de investimentos, trata-se de um negócio de margem elevada, de acordo com Jancso. Ele acredita que algo em torno de 70% de lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (lajida) sobre a receita líquida.

O gestor da JBI acredita que mais um fator que estimulará a adoção desse modelo de aluguel de vagões é o novo padrão contábil brasileiro, que converge para o padrão internacional IFRS, com suas normas para leasing.

Veículo: Valor 06/05/2010