Banco de montadora cresce forte na crise

O ano de 2009 foi de forte crescimento na participação dos bancos ligados a montadoras nas vendas de carros novos. O ganho foi de quase 8 pontos percentuais no mercado de financiamento de veículos, segundo estimativa da Anef, associação que representa essas instituições.

Enquanto a carteira dos grandes bancos andou de lado, as instituições financeiras que trabalham junto com as companhias tiveram de suprir essa ausência e ampliaram a carteira em 30%, em média, segundo levantamento feito pelo Valor a partir dos balanços publicados no site do Banco Central. O estoque de empréstimos dos bancos de montadoras subiu de R$ 34 bilhões para R$ 44,2 bilhões no ano. Esse avanço é mais do que o dobro do registrado pelo mercado. O estoque total de empréstimos para pessoas físicas, de acordo com dados do Banco Central, cresceu 12,9% no ano passado, incluindo CDC e leasing, chegando a R$ 157 bilhões.

"Tivemos que nos preparar para atender a demanda. Os bancos de montadoras chegaram a responder por 65% dos financiamentos de carros novos no ano passado", disse Luiz Montenegro, presidente da Anef e do Banco Toyota. O ganho de market-share foi de até 8 pontos percentuais.

Os destaques ficaram por conta dos bancos Volkswagen, com expansão de 32,6%; Mercedes-Benz, 26,7%; Fidis (ligado à Fiat), com avanço de 30,4%; e GMAC, ligado à Chevrolet, com 18%.

Esse avanço, mais do que uma estratégia, foi uma saída para manter as vendas das companhias mesmo no pior momento da crise, no início de 2009. Isso garantiu um avanço de 11,4% no licenciamento de veículos novos no ano passado, 3,141 milhões. "Nosso compromisso, como bancos de montadora, é garantir a atividade produtiva e o escoamento da frota, mas também com taxas e prazos atrativos aos clientes", completou Montenegro. Além da compra do carro zero, essas instituições são ainda responsáveis pelo financiamento do estoque das concessionárias, conhecido como "floor plan", que garante o giro do negócio.

Já os grandes bancos registraram desempenho abaixo da média. O Itaú Unibanco viu seu estoque de empréstimos crescerem 9,1%, de R$ 47,9 bilhões R$ 52,2 bilhões, boa parte fruto da parceria com a Fiat. O Santander, em ano de reestruturação da operação, teve avanço de 2,8%, de R$ 21,9 bilhões para R$ 22,5 bilhões. Já no Bradesco, o segmento apresentou recuo de R$ 32 bilhões para R$ 30,9 bilhões.

A exceção ficou por conta do Banco do Brasil, que graças à parceria com o Banco Votorantim e a Nossa Caixa, viu sua carteira pular de R$ 6,7 bilhões para R$ 20,7 bilhões. A Caixa também avançou com o Panamericano.

Veículo: Valor 08/01/2010