Lucro da SulAmérica cresce 8,3%, para R$ 206,8 milhões

A SulAmérica, associada ao ING, virou mais uma página de sua centenária história. Prejuízos e boatos de brigas entre acionistas foram substituídos por resultados consistentes nos últimos balanços apresentados. Além disso, no primeiro semestre do ano representantes dos acionistas analisaram dez processos de aquisição ou parcerias estratégicas. "O foco é o crescimento orgânico, como mostram os resultados apresentados. As aquisições e parcerias irão apenas acelerar o desempenho do grupo", diz Arthur Farme d'Amoed Neto, vice-presidente corporativo e de RI. As análises abrangem todos os segmentos de seguros, com uma tendência mais forte nos seguros de veículos.

O lucro líquido registrou alta de 8,3% no primeiro semestre, para R$ 206,8 milhões. Considerando-se os R$ 34,2 milhões da alienação das ações da Telemar, operação realizada em abril, o lucro ajustado fica em R$ 172,7 milhões, alta de 22,4%. O retorno sobre o patrimônio do período ficou em 20,1%. Ajustado, o ROAE cai para 16,8%. A redução de 17 pontos percentuais no índice foi devido ao aumento de capital de R$ 775 milhões com o IPO em outubro do ano passado, segundo explica o executivo. O índice de endividamento da companhia recuou 37,8 pontos percentuais, para 12,9% do patrimônio líquido do semestre, passando de R$ 570 milhões para R$ 277 milhões.

O resultado dos investimentos apresentou redução de quase R$ 70 milhões (ou 5,3%), para R$ 324 milhões, correspondendo a 115,6% do CDI. Segundo Amoed, no primeiro semestre do ano passado o grupo registrou ganhos extraordinários com a venda de ações do Unibanco para o próprio banco em seu programa de recompra, além da realização de ganho com títulos públicos pré-fixados. "O destaque aqui ficou em superar a nossa meta, que era 100% do CDI em um período de turbulências."

O faturamento registrou incremento de 4,9%, para R$ 3,7 bilhões. O seguro saúde, que representa 53% do total, ficou praticamente estável em R$ 1,9 bilhão. Apesar da estabilidade, o grupo cresceu em operações mais rentáveis, com 26,7% no segmento de pequenas e médias empresas.

O índice de sinistralidade da carteira de saúde subiu quase três pontos percentuais, para 76,1%, o que mostra os benefícios da "lei seca" ainda não chegaram �?  indústria de seguros, uma vez que a redução de acidentes traz um grande alívio aos custos de saúde e de pagamento de indenizações em automóveis com uma menor utilização dos serviços. Segundo o executivo, se considerado o efeito não recorrente dos R$ 160 milhões em prêmios retroativos do seguro individual em 2007, a sinistralidade no semestre melhora 2,4 pontos percentuais.

As vendas de seguro automóvel, com 31% do total, tiveram incremento de 17,5%, para R$ 1,1 bilhão. Para o ano é esperado um aumento maior com a maturação de diversas iniciativas de expansão, inclusive a parceria com a financeira e leasing do grupo Votorantim.

O índice de sinistralidade também teve alta, de dois pontos percentuais, para 65,4%. Segundo Amoed, os efeitos positivos da lei seca deverão ser sentidos ao longo do ano. "Porém não acreditamos que haverá grandes alterações, pois a severidade de punições iniciais deveram agora ter efeitos menores em razão até da mudança de atitude da população", diz. O aumento da sinistralidade, acrescenta, além da maior competitividade do setor, se deve ao excesso de chuvas do primeiro trimestre do ano.

Entre as apostas do grupo para o segundo semestre está o seguro dental, lançado recentemente. Há uma grande procura pelo produto e a expectativa é chegar a 350 mil vidas em cinco anos. No semestre, a carteira de dental que era demandada pelas empresas clientes do seguro saúde, atingiu 91 mil beneficiários. O seguro de pessoas, que representam apenas 6% do faturamento do grupo, teve forte incremento no semestre, de 40%. Contribuíram para o resultado a melhora da venda de apólices de vida em grupo, acidentes pessoais e de VGBL.

Veículo: Gazeta Mercantil Finanças & Mercados 15/8/08 Estado: SP