Concorrência com CDB impacta fundos de renda fixa

A queda da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), refletindo ainda os impactos da crise no mercado de crédito norte-americano, aliada à  concorrência com os títulos de Certificados de Depósito Bancário (CDB), na área de renda fixa impactaram o desempenho da indústria de fundos no mês de julho, que registrou captação líquida negativa de R$ 20,3 bilhões, segundo dados da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid). Essa movimentação respondeu por perda de 1,71% do patrimônio líquido do mercado doméstico de fundos, que soma até julho R$ 1,156 trilhões.

As categorias de fundos de renda fixa e multimercado foram as que apresentaram as maiores perdas no mês, registrando captação líquida negativa de R$ 8,22 bilhões e R$ 6,19 bilhões respectivamente. No ano, os fundos multimercado registraram o maior resgate com saída de R$ 27,7 bilhões, seguidos pelos fundos de renda fixa com perda de R$ 18,8 bilhões. Segundo o diretor de investimentos do Safdié Private Banking, Otávio Vieira, os fundos de renda fixa têm perdido em aplicações com a forte competição com os CDBs oferecidos pelos bancos de primeira linha que aumentaram a emissão dos títulos e a rentabilidade dos papéis frente a necessidade de captação de recursos para financiar as operações de crédito, após a medida do Banco Central que obrigou o recolhimento do compulsório para as operações de leasing. "Os grandes bancos estão pagando taxas que variam de 100% do CDI até 104% do CDI, valor pago antes somente para grandes volumes."

Além disso, Vieira destaca que além da rentabilidade dos CDBs ficar muito próxima dos fundos de renda fixa, ainda apresentam a vantagem de não ter taxa de administração nem a cobrança de imposto de renda semestral , chamada de come-cotas, cobrada nos fundos de renda fixa.

Em termos de rentabilidade os fundos de renda fixa apresentaram retornos próximos dos fundos DI em julho, com alta de 1,23% e 1,07% respectivamente. Já os fundos multimercado apresentaram ganho de 0,82% no mês. No ano, os fundos da categoria renda fixa apresentaram o maior retorno de 7,14%, equivalente a 109,7% do CDI. "Os fundos multimercados têm sofrido principalmente com a queda da bolsa, uma vez que muitos fundos, que têm exposição �?  renda variável e alavancagem, estavam muito concentrados nesse mercado", afirma Rossano Oltramari , analista da XP Investimentos.

Vieira destaca ainda que muitos fundos de renda fixa que estavam com posições prefixadas em taxas de juros (DI) nas carteiras acabaram sofrendo maior impacto na rentabilidade no final de julho com a aceleração do ritmo de alta da taxa Selic pelo Banco Central, que elevou os juros para 13% ao ano. "Muitos investidores que estavam nos fundos multimercado migraram seus recursos para títulos de crédito privado como CDBs e debêntures em busca de maior retorno", afirma.

Apesar da queda de 8,48% do Ibovespa no mês de julho, os fundos de ações registraram captação líquida positiva de R$ 146 milhões no período. No ano, os fundos de renda variável acumulam resgate de R$ 9,5 bilhões. 
Para Oltramari, a captação positiva dos fundos de ações nesse período mostra que os investidores brasileiros estão aprendendo a investir no mercado de ações, e começam a olhar as aplicações no longo prazo, buscando aproveitar as oportunidades do mercado para comprar ações no período de baixa dos mercados.

A participação dos investidores pessoa física no volume negociado na Bovespa cresceu de julho para agosto, até o dia 4 deste mês, de 24,5% para 28%. No entanto, a saída dos estrangeiros de R$ 15,6 bilhões da bolsa, no ano, continua impactando sua rentabilidade, e por conseq�?¼ência afeta os fundos de ações que registaram em julho perda de 12% , acumulando queda de 9% no ano.

Veículo: Gazeta Mercantil Gazetainvest 8/8/08 Estado: SP