Leilão ampliado do BC gira US$ 1,2 bi

O Banco Central leiloou US$ 1,254 bilhão por meio da linha de empréstimo de dólares das reservas internacionais com obrigação de recompra. Foi a primeira operação realizada depois da reformulação dessa linha, originalmente criada para financiar somente Adiantamentos de Contratos de Câmbio (ACCs) e Adiantamento sobre Cambiais Entregues (ACEs). O leilão fechou operações com 14 instituições, representando uma média de US$ 895 milhões por participante. A última vez que o BC realizou operação semelhante foi no começo de março, repassando cerca de US$ 1 bilhão para financiar as exportações.

O Banco Central considerou o leilão bem sucedido, com valores de negociação dentro do esperado. "Na grande maioria dos leilões, o total ofertado é maior do que as ofertas aceitas, para não restringir artificialmente a oferta de crédito", informou o BC, justificando o motivo de os repasses terem ficado abaixo do teto de disponibilidade. O BC estava disposto a emprestar até US$ 2 bilhões, ou seja, o leilão de sexta-feira obteve um índice de 62,7% de sucesso ao repassar US$ 1,254 bilhão.
 
O custo do empréstimo será de 1% sobre a London interbank offer rate (taxa Libor) do dia 2 de abril. A liquidação da operação ocorre amanhã, com o repasse dos dólares aos bancos participantes. A taxa de venda por parte do Banco Central a ser exercida nesta terça-feira será de R$ 2,214 por dólar. Os bancos tomadores dos dólares terão um mês para transformar os recursos em empréstimos no mercado, caso contrário será necessário devolver o dinheiro em 7 de maio, considerando câmbio de R$ 2,226065. Os contratos dos empréstimos firmados com os tomadores finais deverão ser apresentados ao BC como garantia.
 
A linha de empréstimos de dólares para financiar as exportações foi lançada em outubro do ano passado e reformulada no final do mês passado. A mudança permitiu que os repasses também financiem importações, leasing e até mesmo dívidas em moeda estrangeira de empresas brasileiras. O mecanismo de repasse de dólares das reservas exige que o banco tomador dos recursos ofereça como garantia ativos em até 140% do valor do empréstimo. Antes, o BC aceitava como garantia os contratos de ACCs e ACEs firmados pelos bancos tomadores. A novidade, a partir de agora, é a aceitação de outros tipos de garantias.
 
No leilão de sexta-feira, por exemplo, foram aceitos como garantia os contratos de ACC e ACE, mas também contratos relativos a arrendamentos e aluguéis de equipamentos (leasing), assim como contratos de recebimento antecipado de exportação, empréstimo externo e financiamento a importações. Mas somente daqui a um mês, quando os bancos comerciais apresentarem as garantias ao BC, é que será possível mapear com detalhes para qual tipo de operação foram destinados os dólares.
 
Para o economista André Sacconatto, da Tendências Consultoria, desta vez o leilão tratou primordialmente de prover crédito a setores da economia que precisam de empréstimos, muito mais do que balizar o mercado de câmbio futuro. O economista disse ser importante a ampliação das possibilidades dos repasses, não restringindo os empréstimos para o financiamento das exportações.
 
A linha de empréstimo de dólares por meio de leilões, portanto, está suprindo uma lacuna deixada pela outra linha anunciada pelo BC para ajudar empresas com dívidas no exterior. Essa outra modalidade de empréstimo tem potencial de até US$ 36 bilhões de repasses, sem a realização de leilões, em uma negociação a ser mantida entre a empresa tomadora, o banco comercial que vai avalizar a operação e a autoridade monetária. Até agora, no entanto, nenhum centavo foi repassado por meio desse mecanismo, que está sendo considerado pelo mercado como extremamente rigoroso quanto à apresentação de garantias.
 
 

Veículo: Gazeta Mercantil