Crédito bancário fraco faz BC prever expansão menor

O crédito bancário cresceu apenas 0,1% entre janeiro e fevereiro, chegando ao volume total de R$ 1,231 trilhão, mostram estatísticas divulgadas pelo Banco Central. Mas há sinais de recuperação localizada na contratação de empréstimos, sobretudo financiamentos de veículos.

Mesmo assim, o mercado apresenta recuperação abaixo da esperada, o que fez com que o BC reduzisse, de 16% para 14%, sua projeção para o crescimento das carteiras dos bancos em 2009. A expectativa é que o crédito, que subiu de 41,5% para 41,6% do Produto Interno Bruto (PIB) entre janeiro e fevereiro, feche o ano em 44% do PIB.
 
Os empréstimos direcionados, como financiamentos de habitação e rurais, continuam a puxar o mercado de crédito, que sofreu forte desaceleração a partir de setembro de 2008, quando o Brasil foi contagiado pela crise financeira mundial. Essas operações, com juros limitados pelo governo, cresceram 1,2% entre janeiro e fevereiro, chegando a uma carteira de R$ 362 bilhões.
 
Já o chamado crédito livre, com juros pactuados pelo mercado, sofreu uma contração de 0,3% entre janeiro e fevereiro, chegando a R$ 868,938 bilhões. Antes da crise mundial, esse era o segmento mais dinâmico do mercado, sobretudo em linhas como crédito consignado, financiamentos de automóveis, desconto de promissórias e capital de giro.
 
No crédito livre, o destaque foram as operações de leasing para pessoas físicas, sobretudo dirigidas à aquisição de veículos, que cresceram 9,8% entre janeiro e fevereiro. Já o leasing para empresas teve uma retração de 11,7% no período. No crédito direcionado, o destaque são os financiamentos habitacionais, com crescimento de 2,8%.
 
Os bancos públicos seguem puxando o mercado de crédito, com um crescimento de 1,7% em suas carteiras, entre janeiro e fevereiro. A carteira dos bancos privados, em contrapartida, encolheu 1%. A carteira dos bancos estrangeiros teve uma retração de 0,4%. "Em parte, o aumento do crédito dos bancos públicos se deve à compra de carteiras", disse o chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Altamir Lopes.
 
Os juros bancários médios caíram de 42,4% para 41,3% ao ano entre janeiro e fevereiro. Em parte, o recuo se deve à diminuição dos custos de captação dos bancos, que passaram de 11,9% para 11,6% no período. Outra parte se deve ao recuo dos spreads bancários, que caíram de 30,5 para 29,7 pontos percentuais.

Veículo: Valor Economico