Bancos reduzem juros cobrados no crédito a consumidores e empresas

Os maiores bancos que atuam no país anunciaram reduções de juros após o Comitê de Política Monetária (Copom) cortar a taxa básica Selic em 1,5 ponto percentual, para 11,25% ao ano. O ajuste leva em conta a diminuição do custo de captação de crédito para as instituições com o corte da Selic, mas não significa uma redução do spread (diferença entre este custo e os juros cobrados dos clientes) onde, entre outros, é computada a margem de lucro dos bancos.

No quarto corte de taxas desde novembro, o Banco do Brasil reduziu em 0,12 ponto percentual o juro mensal na linha empresarial de capital de giro, que, a partir de amanhã, passa a variar entre 5,11% e 7,69%. No cheque especial (pessoa física), o juro máximo caiu de 7,91% para 7,85% ao mês.
 
A Caixa Econômica Federal reduziu os juros em mais de dez modalidades de crédito. O cheque especial, por exemplo, passou de 6,89% para 6,83%. Na linha de capital de giro, a taxa mínima para pequenas e médias empresas caiu de 2,15% para 2,04%.
 
— Essa redução é extremamente importante porque ajuda no crescimento da economia e melhora o ambiente para novos negócios — disse o vicepresidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival.
 
O Bradesco baixou o juro mínimo do cheque especial de 4,78% para 4,70%, e o máximo, de 8,56% para 8,44%. As modalidades CDC e leasing de veículos também tiveram redução de juros. Para as empresas, a linha de capital de giro só recuou 0,02 ponto (1,98% a mínima e 5,02% a máxima).
 
Itaú e Unibanco, que anunciaram fusão em novembro mas ainda operam em separado suas carteiras de crédito, anunciaram cortes de 0,12 ponto em cheque especial, crédito pessoal e capital de giro. Mas só a partir de segunda-feira.
 
O grupo Santander, que inclui o Real ABN Amro, só repassou o corte da Selic para o crédito à pessoa física. O cheque especial caiu de 9,70% para 9,57%, na taxa máxima, e o crédito consignado passou de 1,65% para 1,52%, na mínima.
 
Numa geladeira em 12 vezes, economia só de R$ 14,16 Nos juros cobrados por bancos e lojas no varejo, o efeito da redução da Selic será limitado.
 
De acordo com simulação da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), na hipótese de repasse integral do corte, a taxa média para pessoas físicas passará dos atuais 7,57% ao mês para 7,45% — uma queda de 1,59%. Em 12 meses, essa taxa equivale a uma mordida de 136,85%. No caso das empresas, o juro médio cairá de 4,44% para 4,30% (redução de 3,15%).
 
Pela simulação, as operações de Crédito Direto ao Consumidor (CDC) terão a maior redução, de 3,14% para 3,02% ao mês (-3,82%). No cartão de crédito, os juros devem cair de 10,56% para 10,44%, e no cheque especial, de 7,91% para 7,79%.
 
Segundo a Anefac, o impacto ainda é pequeno para o consumidor porque existe hoje uma diferença muito grande entre a Selic e as taxas cobradas no varejo. Na compra financiada em 12 meses de uma geladeira com preço à vista de R$ 1.500, o total poderá cair de R$ 2.190,72 para R$ 2.176,56. Ao fim do período, a economia do consumidor será de apenas R$ 14,16.
 
No cheque especial, essa economia é ainda menor. O correntista paga hoje R$ 52,73 de juros pelo uso de mil reais por 20 dias. Com as novas taxas, essa despesa deverá cair em R$ 0,80, para R$ 51,93.
 
 

Veículo: O Globo