EUA destinarão até US$ 1 trilhão a crédito para o consumidor

O Tesouro dos EUA e o Federal Reserve (Fed - banco central norte-americano) detalharam ontem um programa que tem potencial para gerar até US$ 1 trilhão em crédito para empresas e consumidores. O plano prevê que até US$ 200 bilhões sejam destinados a prover liquidez para compra de automóveis, contas de cartões de crédito, empréstimos estudantis e a pequenas empresas com garantia da Administração de Pequenos Negócios (SBA, na sigla em inglês), segundo informou a nota conjunta publicada pelo Federal Reserve.

Chamado Programa de Crédito a Termo de Títulos Lastreados em Ativos (Talf, na sigla em inglês), o plano foi originalmente anunciado pelo Fed no dia 25 de novembro de 2008. Segundo o detalhamento divulgado ontem, os desembolsos devem ser iniciados no próximo dia 25. O Fed diz que colocará mensalmente recursos à disposição, por meio da linha de crédito, até dezembro deste ano ou além desse prazo, se seu conselho decidir fazê-lo.
 
"Ao reabrir estes mercados, o Talf dará assistência aos cedentes de empréstimos que desejem atender às necessidades de crédito de consumidores e pequenas empresas, ajudando a estimular a economia de modo geral", disseram o Tesouro e o Fed.
 
A partir de abril, o programa deve abranger também os mercados de crédito para aluguéis, leasinggovernamental e comercial de frotas de veículos, equipamentos pequenos e pesados e empréstimos para compra de equipamentos agrícolas e leasing de equipamentos agrícolas.
 
"O programa expandido continuará tendo como foco ativos que terão maior impacto macroeconômico e que possam ser incluídos com maior eficiência ao Talf, com um risco baixo e administrável ao governo", diz a nota do Federal Reserve.
 
No mesmo dia, Ben Bernanke - presidente do Fed - deu apoio aos esforços da Casa Branca para estimular a economia, afirmando que é preciso uma ação agressiva para evitar uma calamidade econômica. "Ao sustentar os gastos público e privado, o pacote fiscal deve estimular a demanda e a produção nos próximos dois anos, assim como mitigar a perda geral de emprego e renda que, de outra forma, ocorreria", disse Bernanke em texto preparado para seu depoimento ao comitê de Orçamento do Senado do país. Barack Obama, presidente dos Estados Unidos, assinou recentemente um pacote de estímulo de US$ 787 bilhões incluindo gastos em infraestrutura, ajuda a estados e redução em impostos. A aprovação foi obtida quase inteiramente sem a ajuda dos republicanos no Congresso, o que ressalta a importância dos comentários de apoio de Bernanke, uma vez que ele atuou como principal economista do governo Bush em 2005 antes de se tornar líder do Fed.
 
Durante depoimento ao Comitê do Senado, Bernanke demonstrou irritação com a situação da seguradora American International Group (AIG) e as apostas, que classificou de irresponsáveis, mas afirmou que o governo teve que agir e resgatar o grupo para evitar uma tragédia financeira global.
 
Bernanke acrescentou que está irritado sobre o fato de o governo federal ter sido forçado a resgatar a empresa. "Eu acredito que se houver um único episódio em todos esses 18 meses que me deixou irritado, não consigo pensar em nenhum outro que a AIG", disse ele, afirmando que não havia supervisão da seguradora. Na segunda-feira, a seguradora recebeu mais US$ 30 bilhões do governo, elevando o resgate oficial a US$ 180 bilhões.
 
No mesmo dia, a China Life decidiu retirar-se do processo de ofertas pela unidade asiática da AIG devido a preocupações sobre a qualidade do ativo. A AIA, unidade da seguradora na Ásia, passou para as mãos do Fed dentro do último plano de resgate.
 
Obama
 
Obama disse ontem que as oscilações do mercado financeiro são uma reação natural ao aprofundamento da crise, mas que tem absoluta confiança na volta ao normal da economia. Obama disse que o movimento do mercado financeiro é como o movimento das pesquisas diárias de opinião durante a campanha presidencial. Para ele, acompanhar essas oscilações podem levar a más políticas de longo prazo.
 
"Não estou de olho no dia-a-dia do mercado de ações, mas no longo prazo", disse o presidente americano, após encontro com o primeiro-ministro britânico, Gordon Brown.
 
Obama disse que a avaliação de suas políticas será feita pelo fluxo maior de crédito, pelos investimentos das empresas e pela volta dos americanos ao trabalho. Ontem, o Tesouro afirmou que o país atravessa a pior situação fiscal de sua história.
 
O Tesouro dos EUA e o Federal Reserve (Fed, o banco central norte-americano) detalharam ontem um programa que tem potencial para gerar até US$ 1 trilhão em crédito para empresas e consumidores. O plano prevê que até US$ 200 bilhões sejam destinados a prover liquidez para compra de automóveis, contas de cartões de crédito, empréstimos estudantis e a pequenas empresas com garantia da Administração de Pequenos Negócios (SBA, na sigla em inglês), segundo informou a nota conjunta publicada pelo Federal Reserve. Chamado Programa de Crédito a Termo de Títulos Lastreados em Ativos (Talf, na sigla em inglês), o plano entrará em vigor no dia 25. Em depoimento ao Senado ontem, Ben Bernanke, presidente do Fed, deu apoio aos esforços da Casa Branca para estimular a economia, afirmando que é preciso uma ação agressiva para evitar uma calamidade econômica.
 
Na tentativa de salvar o país, o Banco da Inglaterra - o BC britânico - deve anunciar amanhã, após reunião sobre a taxa de juros, a emissão de 150 bilhões de libras (167,238 bilhões de euros) para aumentar a circulação de dinheiro e incentivar a recuperação da economia. Gordon Brown, primeiro-ministro britânico, disse que um New Deal - programa de investimentos estatais dos anos 30 - mundial para o sistema financeiro será possível nos próximos meses. Ele se reuniu com o presidente dos EUA, Barack Obama.
 
 

Veículo: DCI