Disputa continua acirrada

O Congresso volta do carnaval tentando encontrar o ritmo do ano. O primeiro desafio será eleger os presidentes das comissões permanentes de Câmara e Senado. Entre os deputados, o jogo está marcado e definido. As disputas políticas foram enxugadas. O problema continua no Senado, onde o presidente José Sarney (PMDB-AP) prometeu resolver os impasses esta semana. Na Casa, o PTB briga para eleger Fernando Collor (AL) presidente da Comissão de Infraestrutura, vaga pretendida pelo PT, que já indicou Ideli Salvatti (SC).

A Câmara realizará as eleições na quarta-feira num jogo de cartas marcadas. A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) ficará com Tadeu Filipelli (PMDB-DF), a de Fiscalização e Controle deverá eleger Silvio Torres (PSDB-SP), e a de Finanças e Tributação está prometida para Cláudio Antônio Vignatti (PT-SC).
 
A escolha dos presidentes das comissões permanentes também pode ser vista como um rescaldo da eleição da Mesa Diretora, ocorrida no começo do mês passado. Alguns interesses que não puderam ser contemplados com um cargo na cúpula da Casa serão acomodados agora. O deputado Eduardo Gomes (PSDB-TO), por exemplo, que retirou seu nome para a Primeira-Secretaria da Câmara em favor do colega Rafael Guerra (MG), deverá ficar com a Comissão de Ciência e Tecnologia. A deputada Elcione Barbalho (PMDB-PA), convencida a retirar a candidatura avulsa à Quarta-Secretaria, foi contemplada com a indicação do partido à Seguridade Social e Família. A Câmara tem 20 comissões e cada partido fica responsável pela indicação de um parlamentar para presidi-la. Sem disputa, a eleição torna-se apenas uma confirmação dos apresentados pelo partido.
 
Antes das escolhas nas comissões, os deputados deverão votar a Medida Provisória 449, que perdoa dívidas de até R$ 10 mil com a União, e faz outras alterações tributárias. O relator da proposta Tadeu Filipelli pretende retirar da MP a cobrança do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) sobre operações de leasing. Ainda não há acordo em relação à a matéria, tampouco acordo com o governo sobre o tema. “Vamos primeiro destrancar a pauta com essa medida provisória já na terça-feira . E aproveitar a janela sem MPs para votar algumas matérias na Casa”, disse o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP).
 

Veículo: Correio Braziliense