Os caminhos que levam ao crédito

Quando aconteceu a quebra do Lehman Brothers, o segundo maior banco de investimentos dos Estados Unidos, em setembro do ano passado, ainda não se sabia que a crise econômica iminente afetaria o acesso ao crédito pelas pequenas e médias empresas no Brasil. Mas meses depois, os reflexos dos acontecimentos nos Estados Unidos estão no dia-a-dia dos empreendedores brasileiros, que enfrentam mais exigências de garantias para terem seus financiamentos liberados pelos bancos.

Especialistas apontam que, para se adaptarem à fase de escassez de crédito, as empresas de pequeno e médio porte precisarão passar por um processo de reestruturação da gestão, que inclui instituir princípios de governança corporativa, organizar os negócios, manter os balanços em dia e ter fluxo de caixa e planejamento estratégico.
 
Os bancos mostram as políticas que estão adotando e dão algumas dicas de como o empreendedor pode tentar driblar a escassez. Edi Viani, superintendente executivo de pessoa jurídica do Santander e do Banco Real, conta que, para diminuir o risco de calote neste momento, estão atrelando os empréstimos ao fluxo operacional da empresa. "Nosso objetivo é aumentar o vínculo com garantias de recebíveis", declara. Daniel Zabloski, diretor de pequenas empresas do HSBC, recomenda a aproximação entre os empresários e as instituições financeiras como forma de conseguir algumas vantagens.
 
Milton Antonio Bogus, diretor titular do departamento da micro, pequena e média indústria da Fiesp, lembra que "todo relacionamento é baseado em informação, e com os bancos não é diferente. Se a empresa se preparar para esse ‘encontro’, aumenta muito as suas chances de conseguir seguir adiante".
 
Nesse cenário, o leasing está se destacando. A expectativa da Associação Brasileira das Empresas deLeasing (Abel) para este ano é de expansão da carteira em torno de 20%, caso o produto interno bruto (PIB) brasileiro apresente crescimento entre 1,5% e 2% em 2009. No ano passado, essa carteira atingiu R$ 106,6 bilhões, montante 67,2% maior que em 2007.
 
O aumento da burocracia e das garantias exigidas pelas instituições financeiras privadas desde o final do ano passado resultaram também em uma série de medidas do governo para que bancos estatais e outros órgãos públicos pudessem aumentar a oferta de recursos financeiros voltados para micro, pequenas e médias empresas.
 
A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), empresa pública vinculada ao Ministério de Ciência e Tecnologia, por exemplo, decidiu expandir a linha de crédito chamada de Juro Zero, que existia como projeto piloto em Santa Catarina, Paraná e Minas Gerais. A partir deste mês, o programa está em funcionamento também nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, segundo Eduardo Costa, diretor de inovação da Finep.
 
Os bancos controlados pelo governo também estão ampliando o montante direcionado para pequenas e médias empresas.
 
Para aqueles que, mesmo assim, não conseguirem apresentar todas as garantias exigidas, uma alternativa é se associar a uma sociedade de garantias de crédito. Exemplo bem-sucedido desse modelo, a Associação de
 
Garantia de Crédito da Serra Gaúcha (AGC Serra), projeto piloto que existe desde de 2006 e é pioneiro no Brasil, já garantiu 292 obtenções de crédito, totalizando R$ 11 milhões em financiamentos viabilizados, segundo o diretor executivo, Fernando Vial. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) quer ampliar o número de sociedades desse tipo no País.
   

Veículo: Gazeta Mercantil