Veículo puxa aumento da inadimplência

A taxa de inadimplência nos empréstimos livres a pessoas físicas, com juros livremente pactuados entre bancos e clientes, subiu de 8% para 8,3% entre dezembro e janeiro, atingindo o mais alto percentual desde maio de 2002, mostram dados divulgados ontem pelo Banco Central. A piora foi puxada pelos financiamentos de veículos, cuja inadimplência passou de 4,5% para 4,7% no período.

Altamir Lopes: "Corrigindo fatores estatísticos, a elevação não é tão grande"
Existem várias medidas de inadimplência e, dependendo do número usado, a deterioração nas carteiras de crédito pode ser maior ou maior. O conceito mais amplo inclui empréstimos em atraso há mais de 90 dias feitos a empresas e pessoas físicas no crédito livre, direcionado e operações de "leasing". Por essa medida, a inadimplência aumentou de 2,1% para 2,2% entre dezembro e janeiro. É o percentual mais alto desde agosto de 2008.
 
Outro conceito de inadimplência é no crédito livre, excluindo operações de "leasing". Nele, está incluindo 53% do crédito bancário da economia, que em janeiro somava R$ 1,229 trilhão. Por essa métrica, a inadimplência passou de 4,4% para 4,6% entre dezembro e janeiro, considerando as operações com atraso superior a 90 dias. Essa taxa é dividida em duas partes. A inadimplência nos empréstimos a empresas, que representam 58% do crédito livre, subiu de 1,8% para 2% no período. No caso das pessoas físicas, que respondem por 42% dos empréstimos livres, aumentou de 8% para 8,3%.
 
Não há dados segregados sobre a inadimplência do crédito direcionado (que responde por 29% do total de empréstimos) e do "leasing" (9,2% do total).
 
O BC pondera que parte do aumento da inadimplência no crédito livre se deve a fatores estatísticos. Os números de inadimplência não incluem o "leasing" de veículos, que cresce mais rapidamente porque não paga Imposto sobre Operações Financeira (IOF) . São contabilizados apenas os financiamentos tradicionais de veículos, cuja expansão sofreu forte desaceleração desde o início de 2008. Como a idade média da carteira de financiamentos de veículos está aumentando, é natural que ocorra um aumento da inadimplência.
 
"A inadimplência cresceu, mas, corrigindo os fatores estatísticos, a elevação não é tão grande", disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes. "De qualquer forma, o BC está sempre atendo ao aumento da inadimplência e continuará a monitorá-la."
 
Além de veículos, houve aumento na inadimplência no crédito pessoal, cuja taxa passou de 5,5% para 5,7% de dezembro a janeiro. Nos financiamento para a aquisição de outros bens, a taxa recuou, de 13,9% para 13,8%. A inadimplência do cheque especial caiu de 10,6% para 10,3%. No crédito livre a empresas, houve alta na inadimplência do desconto de duplicatas (5,5% para 6,6%), do desconto de promissórias (2,1% para 2,8%), do capital de giro (1,5% para 1,7%) e da conta garantida (3% para 3,2%).
 
Além do aumento da inadimplência efetiva, houve também piora nos indicadores de risco de inadimplência. Os bancos aumentaram as provisões para perdas em crédito em 4%, que passaram para 5,5% das carteiras de crédito em janeiro (ante 5,3% em dezembro).
 
  
Veículo: Valor Economico