Emissões têm queda de 82,7% em janeiro, para R$ 2,8 bilhões

As emissões no mercado de capitais em janeiro de 2009 ficaram concentradas em operações de renda fixa de curto prazo, com elevação dos custos e menor liquidez para captações no longo prazo. O volume das emissões de dívida apresentou uma redução de 82,7% em janeiro comparado ao mesmo período de 2008, somando R$ 2,806 bilhões, referente a 19 operações. Neste ano não houve nehuma emissão no mercado de ações, que registrou apenas duas ofertas no ano mesmo período de 2008, ambas da Tec Toy (follow-on), que somaram R$ 3,126 milhões.

Segundo o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alberto Kiraly, as operações no mercado de capitais devem apresentar recuperação a partir do segundo trimestre, podendo alcançar um volume de emissões entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões neste ano, se não houver um recrudescimento do cenário econômico.
 
As ofertas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs) apresentaram crescimento de 676,8% em relação ao mesmo período de 2008, totalizando R$ 870 milhões.
 
As operações de notas promissórias, com prazo médio de 12 meses, tiveram aumento de 113,5%, com seis operações, que somaram R$ 918 milhões, representando 32,7% das captações no mercado de capitais. Cinco dessas emissões foram feitas pela concessionária OHL, referentes às operações de autopistas, leiloadas pelo governo federal. No ano passado, a emissão de notas promissórias cresceu 161,5% em relação a 2007, somando R$ 25,4 bilhões.
 
Já as captações de longo prazo via debêntures recuaram 94,7%, com uma oferta da Bradespar, que somou R$ 610 milhões, e da Vivo Participações, com dispensa de registro, que somou R$ 210 milhões. As emissões de debêntures, excluindo as operações de leasing e empresas do setor financeiro, apresentaram aumento de 43,9%, comparado a janeiro de 2008. A maior parte dos recursos, 75%, foi destinada à redução do passivo das empresas, seguidas pela utilização para capital de giro.
 
Os prazos médios dessas operações também recuaram fortemente, com aumento da aversão ao risco e restrição de liquidez no mercado, caindo de seis anos no início de 2008 para cerca de 18 meses em janeiro de 2009. Em 2008, as captações por meio de debêntures caíram 50% em relação a 2007, somando R$ 24,04 bilhões, ou R$ 8,89 bilhões excluindo as operações de leasing.
 
Custo
 
As taxas dessas operações subiram de 121,59% em 2007 para cerca de 126,99% em 2008. "O mercado já começa a apresentar operações com prazos um pouco maiores, devendo ter a partir do segundo trimestre emissões de debêntures com vencimento de 18, 24 e até 36 meses com alguma amortização", disse Kiraly. O executivo destaca que os custos das operações devem cair, com mais interesse dos investidores por papéis de empresas com bom risco de crédito.
 
As emissões de Certificados de Recebíveis Imobiliário (CRI) apresentaram crescimento de 35,3%, somando R$ 198 milhões, depois de fechar 2008 com alta de 223% em relação a 2007, somando R$ 4,9 bilhões.No ano passado, as operações de emissões de dívida e de ações totalizaram R$ 101,854 bilhões, volume 30,7% abaixo do registrado em 2007. As operações de renda fixa somaram R$ 66,97 bilhões, com uma queda de 6,2% sobre o total levantado em 2007, com destaque para as emissões de notas promissórias, que representaram 25% do total captado no mercado, concentradas no segundo semestre, durante o agravamento da crise. Já as captações de recursos no mercado de ações recuaram 53,8% em relação a 2007, somando R$ 34,882 bilhões.
 
 

Veículo: Gazeta Mercantil