Crise leva Finantia a suspender projeto de expansão no Brasil

Diante da gravidade da crise financeira internacional, o banco de capital português Finantia resolveu suspender seu projeto de expansão no país. Hoje com um escritório de representação em São Paulo, a instituição financeira tinha planos de abrir um banco no Brasil e não descartava aquisições. Mas, depois da quebra da Lehman Brothers, em setembro de 2008, os mercados pioraram seu humor e a crise de crédito se agravou, atingindo em cheio os países emergentes . "Os projetos novos foram colocados em compasso de espera e resolvemos mudar nosso foco de atuação", afirma Sérgio Zappa, que foi para o Finantia em meados de 2008 para comandar a expansão.

 O Finantia planejava ingressar na área de leasing financeiro para automóveis. Pretendia ampliar imediatamente sua equipe de originação de operações no Brasil e de análise de crédito no mercado local. Com atuação no país desde 93, o Finantia é forte no mercado de títulos da dívida externa e já realizou mais de 100 transações para emissores brasileiros. Realiza operações de financiamento ao comércio exterior, venda desses empréstimos no mercado secundário, e assessora fusões e aquisições e financiamento de projetos.
 
"Vamos esperar a normalização do crédito interbancário e dos financiamentos para saber como vai ficar o mercado interno no Brasil e poder planejar melhor nosso futuro", diz Zappa. A emissão de títulos de dívida externa neste momento está difícil. Desde meados do ano passado as empresas não conseguem colocar papéis. Por isso, o Finantia se voltou para o mercado secundário de eurobônus. "Esse mercado secundário dá sinais de vida muito emblemáticos", comenta Zappa. Os prêmios de risco pagos pelas empresas subiram e se tornaram atraentes. Os investidores estão deixando instrumentos mais sofisticados e estruturados e partem em busca de papéis mais "convencionais", como os eurobônus corporativos.
 
Também o mercado de crédito ao comércio exterior, primário e secundário, volta a ser atraente, por ser mais "simples, seguro e estável", avalia. As fusões e aquisições devem continuar a acontecer, com um movimento de consolidação e "brasileiros dispostos a tirar vantagens das fragilidades no exterior", segundo Zappa. As contratações foram adiadas e o time até encolheu de sete para cinco pessoas. Márcio Pepino, no Finantia há 11 anos, foi no início de setembro para o concorrente português Banco Espírito Santo (BES). O cargo dele foi um dos que não foi preenchido.
 

Veículo: Valor Economico