Renda fixa deve liderar emissões em 2009

São Paulo, 22 de Janeiro de 2009 - As emissões no mercado de capitais em 2009 devem continuar concentradas em operações de renda fixa de curto prazo no primeiro trimestre, devendo apresentar uma recuperação a partir do segundo semestre, com a melhora do cenário econômico. É o que prevê o vice-presidente da Associação Nacional dos Bancos de Investimento (Anbid), Alberto Kiraly, destacando a estruturação de algumas operações que devem sair nos próximos 30 dias. "Devemos ter um segundo trimestre mais ativo, estabilizando no segundo semestre, podendo alcançar um volume de emissões entre R$ 100 bilhões e R$ 120 bilhões, se não houver um recrudescimento desse cenário", diz.

 No ano passado, as operações de emissões de dívida e de ações totalizaram R$ 101,854 bilhões, volume 30,7% menor que o registrado em 2007. As operações de renda fixa somaram R$ 66,97 bilhões, registrando queda de 6,2% sobre o total levantado em 2007, com destaque para as emissões de notas promissórias, que representaram 25% do total captado no mercado, com alta de 161,5% em relação a 2007, somando R$ 25,438 bilhões em 2008, concentradas em grande parte, 63%, no segundo semestre, durante o agravamento da crise.
 
As emissões de Certificado de Recebíveis Imobiliários (CRIs) também tiveram expressivo crescimento em 2008, com alta de 223% em relação a 2007, somando R$ 4,9 bilhões. As ofertas de Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), embora tenham desacelerado, fecharam o ano passado com aumento de 4% em relação a 2007, somando R$ 12,57 bilhões.
 
Já as captações por meio de debêntures caíram 50% em relação a 2007, somando R$ 24,04 bilhões, ou R$ 8,89 bilhões excluindo as operações de leasing. A restrição da liquidez e o aumento da aversão ao risco provocaram elevação dos custos e redução do prazo médio das emissões, que caiu de 8,75 anos em 2007, para 5,52 anos em 2008. Excluindo, no entanto, as emissões de empresas de leasing, os prazos médios apresentaram ligeiro aumento de 5,61 anos para 6,28 anos no período. Já as taxas das operações subiram de 121,59% em 2007 para cerca de 126,99% em 2008. "O mercado já começa a apresentar operações com prazos um pouco maiores, devendo ter a partir do segundo trimestre emissões de debêntures com vencimento de 18, 24 e até 36 meses com alguma amortização", diz Kiraly. Ele destaca que os custos das operações devem cair, com mais interesse dos investidores por papéis de empresas com bom risco de crédito.
 
As emissões de renda fixa também lideraram as operações no mercado externo, que somaram US$ 11,078 bilhões, queda de 31,11%. Os lançamentos de bônus e de títulos de médio prazo (Mid Term Notes) responderam por 58,5% do montante ofertado no exterior, sendo grande parte concentrada entre os bancos, principalmente de médio porte, cujas emissões aumentaram 75,6% em 2008 em relação a 2007, somando US$ 3,066 bilhões. "O mercado estava aberto para operações com prazos mais curto, de até três anos, o que faz sentido para os bancos médios que têm operações com esse prazo", diz Kiraly.
 
Já as emissões de American Depositary Receipts (ADRs) somaram US$ 4,346 bilhões em 2008 - queda de 2,82% em relação a 2007 - impulsionadas pela operação da Vale, que totalizou US$ 3,9 bilhões, representando 89,7% do total. "O mercado externo sofreu mais que o local, mas empresas com bom risco de crédito podem conseguir emitir papéis com prazos mais longos que as operações locais, de cinco a dez anos", destaca Kiraly.
 
O vice-presidente da Anbid estima que as emissões do setor privado e público com vencimento neste ano devem somar cerca de US$ 7 bilhões. Só os papéis do Tesouro com vencimento em 2009 somam US$ 1,597 bilhão. A instituição captou neste mês US$ 1,025 bilhão no mercado externo. Kiraly afirma que o nível de rolagem das operações de dívida também aumentou, e que a medida do governo de dispobilizar recursos das reservas para empresas com emissões vencendo neste ano deve incentivar a amortização.
 
Mercado acionário
 
Em relação ao mercado de renda variável, Kiraly acredita que 2009 deve ser pouco aquecido em termos de IPOs. No ano passado, as captações de recursos no mercado de ações recuaram 53,8% em relação a 2007, somando R$ 34,882 bilhões. As operações de empresas já negociadas na bolsa (follow-ons) responderam por 78,2% do volume total, com aumento de 81,6%. "Poderemos ver um número maior de operações no segundo semestre, com espaço para colocações de grande volume, acima de R$ 1 bilhão, ou de ofertas de empresas já listadas em bolsa, o que reduz o risco dos investimentos", diz Kiraly.
 
Ele destaca que os investidores estrangeiros continuam vendo o Brasil bem posicionado e que assim que o mercado se acalmar devem retornar para a bolsa brasileira.   
 

Veículo: Gazeta Mercantil