Feirões de veículos atraem consumidor

O retorno do crédito para a compra de veículos novos e usados, percebido com maior intensidade nos últimos dez dias, mesmo que ainda não esteja refletido nas vendas, está levando, gradualmente, os clientes de volta às concessionárias. Durante o fim de semana, o trabalho para convencê-los de que é a hora de se adquirir um carro novo foi intenso, com preços abaixo da tabela, acessórios subsidiados e até vale-compras em lojas de varejo. Mesmo assim, não faltaram lojas vazias e lamentações por conta da fuga dos consumidores.

Depois de comparar a mensalidade que estava pagando por seu carro usado com a de um novo, o cliente Sergio Eduardo decidiu trocar de dívida
Apesar de coincidir com o feriado prolongado do Dia da Consciência Negra, diversos feirões foram realizados no país. Em São Paulo, os grandes atrativos alardeados pelos vendedores eram justamente os preços abaixo das tabelas de mercado e o retorno do financiamento do veículo em 60 meses sem entrada. Nos carros usados, foi possível verificar descontos de até R$ 8 mil em relação ao preço de tabela da Fipe, uma das referências dos concessionários.

No feirão da Volkswagen, que ocorreu durante o feriado, a média de vendas foi de 165 automóveis novos por dia, com maior volume sendo comercializado no fim de semana. O chamariz utilizado pela marca, que deu nome ao feirão, foi o "multa zero", que consistia em um desconto de R$ 1 mil no preço final do veículo para o cliente que ficar um ano sem ser multado.

Segundo José Renato Bernardes, gerente regional de vendas da montadora, antes do feirão, que também coincidiu com o retorno do financiamento em 60 meses sem entrada, a média estava em torno de 115 veículos novos por dia. No cenário pré-crise, no entanto, era de 200 unidades por dia. "Estamos conseguindo atrair os clientes às lojas", comemorou Bernardes.

Em outro feirão, este promovido pela rede de concessionárias Itavema, o foco era a venda de automóveis usados. De acordo com Mauricio Maioli, gerente-geral de vendas para São Paulo e Rio, o evento foi antecipado com a retomada do fluxo de clientes nas lojas do grupo. "Normalmente fazemos o feirão no início do ano, mas como tínhamos bons preços de usados e condições de financiamento favoráveis, decidimos adiantar", afirmou o executivo. Ele também relatou a dificuldade de negociar carros usados.

Para Maioli, o retorno dos clientes às concessionárias está atrelado aos preços baixos e à aprovação do crédito ao consumidor. A expectativa do executivo era vender ao menos 150 carros no sábado.

Conforme os dados de mercado relatados pelas concessionárias, até o dia 20 a queda nas vendas era de 20% na comparação com o mesmo período de outubro. Em São Paulo, a retração de carros emplacados foi ainda maior, de 31,8% até sexta-feira. Uma recuperação em relação ao mês anterior foi descartada pelos executivos consultados pela reportagem.

Em uma concessionária da Ford localizada no Shopping Aricanduva, um vendedor que optou por não se identificar, relatou que as vendas de fim de semana de antes da crise chegavam a 35 unidades, enquanto que atualmente variam de cinco a dez automóveis.

As modalidades de financiamento mais utilizadas pelos consumidores de carros novos têm sido oleasing em 60 meses, com taxas entre 1,99% e 2,38% ao mês, ou com 50% de entrada e o restante parcelado em 24 vezes, com taxa de 0,99% ao mês.

Marcos Leite, gerente de vendas da concessionária Volkswagen Amazon, reforçou a importância das taxas para o desempenho das vendas. "A situação está mais tranqüila com o recuo das taxas praticadas pelo mercado", contou. Para ele, as condições favoráveis ao consumidor poderão ser alteradas com a redução da produção por parte das montadoras. "Acho que este cenário permanece até o início de dezembro, depois volta a ser mais realista", disse Leite. Ele afirmou que a Amazon vem sacrificando os lucros para poder dar vazão aos veículos novos e usados.

Outro fator que movimentou o mercado foi o aporte de R$ 8 bilhões do Banco do Brasil e da Nossa Caixa no crédito para veículos. Segundo as revendas, no entanto, nenhum dos dois bancos está financiando veículos diretamente.

Veículo: Valor Econômico Empresas 24/11/08 Estado: SP