Com Real, o lucro do Santander volta a subir

O primeiro efeito da aquisição do Banco Real pelo Santander pôde ser visto no balanço do terceiro trimestre de 2008, apresentado ontem. O banco espanhol, que vinha registrando queda de seu lucro em relação ao ano passado, conseguiu, com a formação do Grupo Santander Brasil - resultado da união dos bancos Santander e Real -, reverter essa tendência. Até setembro, o grupo teve lucro líquido 1,3% superior aos nove primeiros meses de 2007, com um total de R$ 2,23 bilhões, ante R$ 2,20 bilhões no ano passado, resultados pro forma. No primeiro semestre, o Santander havia auferido queda de 17% no lucro em relação aos seis primeiros meses de 2007, para R$ 830,36 milhões, ante o ganho de aproximadamente R$ 1 bilhão em 2007.

Os ativos totais, até setembro, chegaram a R$ 301,71 bilhões, um crescimento de 8,4% em comparação com o volume registrado no mesmo período de 2007. A carteira total de crédito do grupo chegou a R$ 130,4 bilhões no período, um aumento de 25,5% em relação a setembro passado, quando o saldo era de R$ 103,9 bilhões. As operações de crédito para pessoa jurídica registraram alta de 28,9% e passaram de R$ 52,4 bilhões para R$ 67,6 bilhões. Já o financiamento para pessoa física ficou um pouco abaixo da média, e chegou a R$ 57,2 bilhões, um aumento de 23% contra comparado com o mesmo período de 2007, que tinha estoques de R$ 46,5 bilhões. Segundo informações do banco, os destaques dessa modalidade foram os segmentos de cartões de crédito, com alta de 42,3%, alcançando R$ 6,2 bilhões, seguido do financiamento imobiliário, que subiu 32,3% a R$ 4,1 bilhões. As operações de CDC e leasing obtiveram incremento 23,7%, somando R$ 23,7 bilhões e o crédito consignado, que subiu 11%, um total de R$ 6,5 bilhões.

Segundo o presidente do grupo no Brasil, Fábio Barbosa, o crescimento abaixo da média do mercado ocorreu porque a instituição não tem atuação expressiva no segmento de crédito consignado (com desconto na folha de pagamento) e leasing (arrendamento mercantil). O crédito no sistema financeiro brasileiro teve expansão de 34% nos últimos 12 meses encerrados em setembro, segundo dados do Banco Central.

De acordo com os dados divulgados ontem, os depósitos cresceram 31,6%, saltando para R$ 121,7 bilhões. O destaque foi a poupança que, com crescimento de 25,4%, atingiu um total de R$ 19,10 bilhões até setembro, contra R$ 15,24 bilhões no mesmo período de 2007.

Ainda segundo o banco, a exposição a derivativos era de R$ 1,42 bilhão em 27 de outubro, a uma taxa de câmbio de R$ 2,25 por dólar. O banco possui 60 clientes com operações de target forward e swaps com verificação. Segundo o presidente do grupo no Brasil, essas empresas são exportadoras e algumas já buscaram o banco para fazer o alongamento dos prazos. "São valores palatáveis e absorvíveis pelas empresas. �? algo totalmente gerenciável", afirmou Barbosa. Essa renegociação é encarada pelo executivo como normal por ocorrer também em outras operações com pessoas jurídicas, como capital de giro. "Temos tido conversas com os clientes, mas nada que possa ser considerado excepcional", disse o executivo.

Unibanco e Itaú, por meio de sua financeira Itaú BBA, também divulgaram recentemente possuir operações com derivativos. Enquanto o primeiro disse manter esses tipos de operações com 33 clientes, que gerariam pagamento de aproximadamente R$ 1 bilhão se todas tivessem sido liquidadas no último dia 23. Já o Itaú tem contratos de target forward e swaps de verificação com 96 clientes, o que geraria pagamentos de R$ 2,4 bilhões, caso a liquidação tivesse ocorrido no dia 24 de outubro.

O Grupo Santander Brasil também confirmou haver adquirido mais cinco carteiras de crédito pelas regras de desconto do compulsório editadas pelo Banco Central, totalizando dez aquisições. Além disso, está finalizando a compra de outras seis e estuda a obtenção de mais onze, "todas com ótima qualidade dos ativos", segundo comunicado. O investimento total nessas operações será de até R$ 2,5 bilhões. O banco ainda apurou aumento nas receitas de prestação de serviços na ordem de 3,2%, alcançando R$ 5,8 bilhões, e na margem de intermediação financeira de 2,5%, indo a R$ 14,4 bilhões.

Santander Brasil

Segundo os dados enviados pelo banco para a Comissão de Valores Imobiliários (CVM) - que registram apenas um mês da operação do Real, uma vez que a incorporação foi feita oficialmente no fim de agosto - o banco espanhol registrou lucro líquido de R$ 496,852 milhões no terceiro trimestre deste ano, o que representa um aumento de 44,09% sobre os ganhos registrados em igual período do ano passado, de R$ 344,8 milhões. De janeiro a setembro de 2008, o resultado é de R$ 1, 33 bilhão, 1,6% maior que os 1,30 bilhão alcançados no mesmo período de 2007. No trimestre, as receitas da intermediação financeira alcançaram R$ 7,3 bilhões, 94,2% superior ao mesmo período de 2007, enquanto as despesas da intermediação financeira somaram R$ 6,8 bilhões, 188,89% superior ao mesmo período de 2007. O resultado operacional de julho a setembro foi de R$ 395,173 milhões, com queda de 14,7% em comparação com o ano passado. Em nove meses, o resultado chegou a R$ 1,4 bilhão, 18% inferior ao obtido em 2007.

Com operações de crédito, o resultado foi 150% superior, com um salto de R$ 2,1 bilhões, entre julho e setembro de 2007, para R$ 5,3 bilhões neste ano 2008. Em nove meses, essas operações acumularam R$ 9,4 bilhões, uma evolução que chega a 38%.

Fusão

O banco espanhol passou a exercer efetivamente o controle acionário indireto no conglomerado ABN Amro Real no Brasil a partir do dia 24 de julho deste ano. Por tratar-se de uma operação de incorporação de ações, as personalidades jurídicas das empresas adquiridas se mantiveram. As operações de incorporação foram submetidas ao BC e estão em fase de homologação.

O primeiro efeito da aquisição do Banco Real pelo Santander pode ser visto no balanço do terceiro trimestre de 2008. O banco espanhol, que vinha registrando queda de lucro em relação ao ano passado, conseguiu, com a formação do Grupo Santander Brasil - que inclui o Real -, reverter essa tendência. Até setembro, o grupo teve lucro líquido 1,3% superior ao dos nove primeiros meses de 2007, com um total de R$ 2,23 bilhões, ante R$ 2,20 bilhões no ano passado, resultados pro forma. No primeiro semestre deste ano, o Santander havia auferido queda de 17% no lucro em relação aos seis primeiros meses de 2007.

O Banco Santander S.A. manteve ontem a previsão de lucro líquido de 10 bilhões de euros (US$ 12,5 bilhões) para o exercício 2008. Em 2007, o grupo registrou lucro de 9,03 bilhões de euros. No terceiro trimestre, Santander obteve lucro líquido de 2,205 bilhões de euros no mundo, alta de 4,3%. Analistas esperavam um resultado melhor, de 2,273 bilhões de euros.

Veículo: DCI Finanças 29/10/08 Estado: SP