Santander Brasil lucra R$ 2,23 bilhões

O grupo Santander Brasil informou ontem que fechou o balanço de nove meses com um lucro líquido de R$ 2,23 bilhões. O resultado é 1,3% superior ao de R$ 2,2 bilhões de igual período de 2007 e representa 20% do lucro global obtido pelo espanhol Santander. O retorno anualizado sobre o patrimônio de R$ 24,2 bilhões ficou em 12,3%.

Fábio Barbosa, presidente: "Expansão de 15% a 20% do crédito em 2009 será fantástica diante da retração mundial"
�? o primeiro balanço que reúne o Santander e o Real, cuja aquisição foi concretizada em agosto. Um balanço consolidado pró-forma foi feito para tornar possível a comparação com 2007.

Sexta-feira, o presidente mundial do grupo, Emilio Botín, vai anunciar o plano de integração de três anos das duas instituições, cuja fusão resulta no terceiro maior dos bancos privados brasileiros por ativos, com R$ 301,7 bilhões em ativos e R$ 130,5 bilhões em créditos, com 8 milhões de correntistas ativos, rede de 3,6 mil pontos e 55 mil funcionários.

Assim como os outros grandes bancos que já divulgaram balanço, o Santander Brasil também teve os resultados afetados pela crise internacional. O presidente do grupo Santander Brasil, Fábio Barbosa, afirmou que a volatilidade afetou os resultados da tesouraria, que diminuíram.

Além disso, o banco informou que, no dia 27, possuía operações de derivativos junto a 60 clientes nas modalidades de "target forward" e swaps com verificação. A exposição total do banco nesses produtos a uma taxa de câmbio de R$ 2,25 por dólar, para liquidação no vencimento, era de R$ 1,42 bilhão. O Itaú anunciou uma exposição maior, de R$ 2,4 bilhões; a do Unibanco é menor, de R$ 1 bilhão; e o Bradesco informou não ter feito esse tipo de operação.

Barbosa afirmou que "os valores reportados são totalmente absorvíveis e equacionáveis". Segundo explicou, as empresas e os bancos estão acertando as pendências. A maior parte das empresas, disse, são exportadoras que poderão acertar as dívidas com seu fluxo de caixa normal. As que fizeram operações alavancadas vão negociar refinanciamentos.

O Santander Brasil deve investir de R$ 2 bilhões a R$ 2,5 bilhões na compra de carteiras de bancos pequenos e médios, com a liberação do compulsório. Até agora, o grupo já adquiriu dez carteiras, está finalizando a compra de outras seis e estuda a obtenção de mais onze. São carteiras de consignado, financiamento de veículos e crédito para pequenas e médias empresas.

A queda da receita da tesouraria foi parcialmente compensada pelo aumento das operações de crédito, que cresceram 25,5% de R$ 103,9 bilhões a R$ 130,48 bilhões.

Barbosa notou que a carteira do Santander Brasil cresceu menos do que a dos outros bancos privados porque algumas linhas que puxaram a expansão dos negócios nas demais instituições, como o consignado e o leasing, não tiveram o mesmo desempenho no grupo.

Ainda assim, as operações de crédito para pessoas jurídicas registraram uma elevação de 28,9%, de R$ 52,47 bilhões para R$ 67,65 bilhões.

Barbosa explicou que as empresas aumentaram a demanda por crédito junto aos bancos dada a escassez de recursos externos causada pela crise.

A carteira de pessoa física atingiu R$ 57,25 bilhões, com alta de 23,0% sobre os R$ 46,53 bilhões de setembro de 2007.

Os destaques desse segmento foram o crescimento do crédito com cartões, de 42,3% para R$ 6,22 bilhões; do financiamento imobiliário, de 32,3% para R$ 4,18 bilhões; do crédito direto ao consumidor (CDC) e leasing, de 23,7% para R$ 23,71 bilhões; e do crédito consignado, que subiu 11% para R$ 6,59 bilhões.

Barbosa acredita que as operações de crédito vão fechar o ano com crescimento 25%. Já para 2009, se a taxa for de 15% a 20%, como prevêem analistas, já será ótimo diante da retração mundial, disse o presidente do grupo.

As receitas de prestação de serviços tiveram um acréscimo de 3,2%, subindo para R$ 5,89 bilhões, enquanto a margem de intermediação financeira teve alta de 2,5%, indo a R$ 14,42 bilhões.

Os depósitos totais cresceram 31,6%, saltando para R$ 121,7 bilhões, com destaque para a poupança, que registrou alta de 25,4%, saindo de R$ 15,24 bilhões nos nove primeiros meses de 2007 e chegando a R$ 19,10 bilhões neste ano. Os depósitos a prazo deram um salto de 39,8%, de R$ 62,6 bilhões para R$ 87,6 bilhões

No período, os ativos totais chegaram a R$ 301,71 bilhões, o que representou crescimento de 8,4% na comparação com o registrado no mesmo período de 2007.

A complementaridade da rede de distribuição dos dois bancos garante ao Santander presença nacional, com uma rede de 3.551 pontos de venda (agências e PAB´s) com foco nas regiões Sul e Sudeste.

Pelo critério adotado na Espanha, e excetuando-se a operação do Banco Real, o Santander no Brasil registrou nos nove primeiros meses de 2008 um lucro líquido de US$ 1,138 bilhão, com alta de 21,1% na comparação com o desempenho em igual período de 2007. O resultado do Banco Real no mesmo critério foi de US$ 1,106 bilhão, com crescimento de 25% em 12 meses.

Os quadro maiores bancos de varejo somam um lucro líquido publicado de R$ 16,3 bilhões nos nove primeiros meses deste ano, com queda de 4,4% sobre igual período de 2007. A rentabilidade anualizada ficou em 21,2% em comparação com os 24,8% de um ano antes.

Veículo: Valor Econômico Índice Geral 29/10/08 Estado: SP