18 carteiras já foram compradas; taxa atinge 150% do CDI

Os mecanismos criados pelo governo para estimular a compra de carteiras de crédito vão funcionar, aliviando a falta de liquidez dos bancos pequenos e médios , acredita Natalia Corfield, analista do Dresdner Kleinwort. Segundo Natalia, os grandes bancos têm interesse na operação que oferece retorno atrativo. Fontes de mercado informaram que as taxas chegam ao equivalente a 150% do CDI.

Além disso disse Natalia, o risco é baixo, especialmente se a carteira for de consignado. Milton Luiz de Melo dos Santos, presidente da Nossa Caixa, que fechou a comprou três carteiras de bancos pequenos nesta semana, afirmou, porém, que as operações levam algum tempo para serem concretizadas. "�? preciso analisar o risco, prazo, inadimplência histórica, e qual é empregador, no caso do consignado", disse Santos. A Nossa Caixa foi uma das primeiras a fechar negócio, disse, porque já vinha analisando operações desde meados do ano para incrementar a rentabilidade dos ativos.

 O banco comprou carteiras de consignado de três instituições de pequeno porte no valor total de R$ 540 milhões. E estuda novas operações com consignado, Leasing e financiamento de veículos. Além disso, fechou acordos com esses três bancos para comprar novos créditos produzidos em um ritmo de R$ 169 milhões por mês, ao longo de dez meses, totalizando R$ 1,69 bilhão. No início do ano, o banco fez acordo com o Banco BMG para a compra de R$ 700 milhões em consignado produzido ao longo de sete meses. A Nossa Caixa não vai usar recursos liberados pelo compulsório sobre depósitos a prazo para fazer as operações porque tem um funding mais barato: R$ 9 bilhões em poupança e R$ 16 bilhões em depósitos judiciários. Ambos são remunerados pela taxa referencial (TR) mais 6% ao ano.

A Caixa Econômica Federal anunciou ontem suas quatro primeiras aquisições de carteiras de bancos pequenos e médios, no valor total de R$ 1,1 bilhão (consignado e empréstimos a empresas médias). Além disso, fez acordos operacionais com dois desses bancos para gerar mais até R$ 3,6 bilhões em operações de crédito nos próximos 24 meses. Com essas operações chega a 18 o número de carteiras compradas. Segunda-feira, Bradesco e Unibanco anunciaram a compra de duas carteiras cada um (consignado e veículos no caso do primeiro e só de consignado no segundo).

Depois o Itaú comprou três e, quarta-feira, o grupo Santander Brasil, que reúne os bancos Santander e Real, informou ter fechado a compra de cinco carteiras (consignado e crédito corporativo). Apenas a Nossa Caixa informou o volume envolvido. O Banco do Brasil (BB) disse que estuda a compra de R$ 3 bilhões em carteiras. As liberações de compulsórios feitas pelo Banco Central nas últimas semanas deram à Caixa R$ 2,7 bilhões para comprar de carteiras de bancos pequenos e médios.

O diretor de finanças da Caixa, Márcio Percival, disse que a intenção é usar todos os recursos e também recursos de outras fontes. Já existem pelo menos outras nove operações em avaliação dentro da Caixa. Com os acordos operacionais, o volume cresce. A concretização das operações demorou porque as carteiras tiveram primeiro que serem submetidas à avaliação de risco da Caixa, que separou as operações que interessavam. Percival disse que, apesar da crise e da greve dos bancários, a Caixa continuou a emprestar. "Não observamos nenhuma desaceleração", afirmou. A perspectiva é que, no ano que vem, a carteira da Caixa cresça 25%. O presidente da Nossa Caixa afirmou que ainda não foi reestabelecido o nível de liquidez que existia no mercado antes do recrudescimento da crise americana. Mas as medidas tomadas pelo BC, disse, permitem uma normalização gradual. "Não é da noite para o dia", afirmou Santos. A analista do Dresdner Kleinwort afirmou que a ação do BC é um fator de tranqüilidade uma vez que vem tomando medidas para irrigar o mercado. "�? um momento desafiador para os bancos médios. Mas não é a primeira vez que passamos por isso. Eles têm sido bem ágeis em crises".

Veículo: Valor Econômico Finanças 17/10/08 Estado: SP