Setor automotivo deve passar por grandes mudanças em 60 dias

A indústria automobilística brasileira deve passar por grandes transformações nos próximos 60 dias, prevê o presidente da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Moan. A primeira delas deve ocorrer em 20 dias, quando a entidade vai rever para cima (a expectativa de crescimento para 2013), disse Moan, em entrevista ao Diário do Grande ABC. Segundo ele, a Anfavea não está na onda de mau-humor corrente. O motivo para o otimismo são os dados recordes para o setor automotivo, com 1,86 milhão de unidades produzidas no primeiro semestre. A expectativa é de que sejam colhidos resultados semelhantes no segundo semestre.

Entre as mudanças esperadas está o incentivo ao uso do leasing. O presidente da Anfavea disse que a entidade trabalha com o governo federal, a Febraban (Federação Brasileira de Bancos) e com a Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel) para criar normativas para incentivar o uso do leasing nos financiamentos de automóveis. A modalidade já representou 40% dos contratos e hoje corresponde a menos de 1% do total. Um dos principais problemas deste tipo de operação financeira é que as cobranças relacionadas ao veículo, como impostos ou multas, passaram a recair sobre o banco, o que desestimulou as instituições financeiras a oferecerem esse produto.

“Queremos que a cobrança seja feita para o CNPJ ou CPF do usuário”, explicou Moan. “Estamos elaborando uma proposta. Acredito que 60 dias seja um prazo razoável para renovar o leasing”, afirmou.

Ainda de acordo com Luiz Moan, em até 60 dias todas as portarias que regulamentam o Inovar-Auto estarão editadas. O programa automotivo do governo federal tem o objetivo de estimular o investimento na indústria automobilística nacional e a estimativa é que até 2015 levantará cerca de R$ 50 bilhões em investimentos no setor. O presidente da Anfavea calcula que US$ 10 bilhões já foram aportados. As medidas introduzidas pelo Inovar-Auto fazem parte da política industrial, tecnológica e de comércio exterior chamado “Plano Brasil Maior”, e concede benefícios em relação ao IPI às empresas que estimulam e investem na inovação e em pesquisa e desenvolvimento no País.

O programa prevê um desconto de até 30 pontos porcentuais no IPI para automóveis produzidos e vendidos no Brasil, mas para ter direito ao incentivo, os interessados devem cumprir uma série de contrapartidas.

Além disso, a entidade garante que entre 45 e 60 dias estará com o Programa Exportar-Auto pronto para apresentar ao governo federal.

 

Veículo: Diário do Grande ABC – edição de 21 de julho de 2013