Lula nega pacote para evitar efeitos da crise

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou mais uma vez que seu governo esteja preparando um pacote de medidas para amenizar os efeitos da crise financeira internacional no Brasil. Contudo, nos bastidores, Lula tem trabalhado para que não falte crédito no mercado brasileiro.

Em uma reunião com grupo de coordenação política, integrado pelo vice-presidente, José Alencar e seis ministros (Fazenda, Casa Civil, Planejamento, Justiça, Relações Institucionais e Secretaria Geral), na manhã de ontem, Lula ouviu um relato do ministro da Fazenda, Guido Mantega, sobre a situação da crise financeira internacional. A partir daí, definiu como principal preocupação a manutenção de crédito no País durante todo o período de crise internacional. Ficou claro na reunião que a principal orientação do presidente é a necessidade do empenho de todos para assegurar a manutenção do crédito, avaliando todas as possibilidades de ampliação de financiamento, inclusive para exportação.

Mais tarde, ao falar na portaria do Ministério da Fazenda, Mantega assegurou que, se for necessário, o governo tomará novas medidas para irrigar o crédito a exportadores. O ministro reconheceu que o problema mais imediato decorrente da crise é o da falta de crédito para os exportadores. Ele disse que o Banco Central já está fazendo leilões de dólares e o governo está "estimulando os bancos" a darem crédito. Se for necessário, disse Mantega, novas medidas serão tomadas.

O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, afirmou que as linhas externas podem ser afetadas pela crise internacional e, por tabela, afetar as linhas de crédito no Brasil. Mas ele destacou que é preciso esperar para avaliar a situação porque em momentos agudos de crise é normal que "todo o mundo feche a torneira".

Bernardo ressaltou que o presidente Lula recomendou aos ministros que cuidem da oferta de crédito para que não haja falta de financiamento para as empresas e para as pessoas físicas. "O presidente pediu para ficarmos atentos e disse que não se pode fingir que não tem crise. Ele pediu para que nós cuidemos do crédito e afirmou: olha, o Natal está chegando", disse, reconhecendo, assim, que o agravamento da crise já afeta a oferta de crédito.

Em comum, Bernardo e Mantega ressaltaram que não faltarão recursos para os investimentos do Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Além disso, o ministro da Fazenda afirmou que o BNDES vai cumprir seu cronograma de desembolsos.

Mantega também afirmou que o governo já está antecipando R$ 5 bilhões em crédito para agricultura, por meio do Banco do Brasil. "Achamos que mais R$ 5 bilhões resolvem o problema", disse. "As medidas de ajuste estão sendo tomadas. O BB já está antecipando recursos para a agricultura. Vamos colocar mais crédito", disse. Ao comentar a reunião de coordenação política, o titular da pasta da Fazenda disse que a crise já dura há mais de um ano e que agora está no seu momento mais agudo. Ele destacou que o Brasil está no grupo de países menos atingidos, por causa de seus bons fundamentos econômicos. "Seja qual for o desenrolar da crise, o Brasil continuará trilhando o caminho do crescimento", afirmou. Mantega destacou que o governo está atento e disse esperar que o pacote norte-americano para sanear o sistema financeiro seja aprovado pelo Senado dos EUA.

pesar das negativas sobre o anúncio de um pacote, o governo tem tomado medidas pontuais e paliativas para reduzir a influência da crise econômica norte-americana sobre o Brasil. No dia 24 de setembro, o BC anunciou duas medidas para aumentar a liquidez no sistema financeiro nacional e volume de dinheiro em negociação. Com elas, o BC manteve R$ 13,2 bilhões no mercado. A primeira medida foi o adiamento do cronograma de implementação de compulsórios sobre depósitos interfinanceiros de leasing. A segunda medida triplica de R$ 100 milhões para R$ 300 milhões o valor a ser deduzido pelas instituições financeiras sobre os depósitos a prazo, à vista e da poupança.

Veículo: DCI Política 02/10/08 Estado: SP