Operações de arrendamento mercantil caem 22,1% em maio

SÃO PAULO - As operações de arrendamento mercantil, também conhecidas como leasing, registraram queda de 22,1% no ano, até maio, em pessoa física, para o saldo de R$ 21,541 bilhões. Em maio do último ano, o total acumulado era de R$ 37,699 bilhões, queda de 42,9%, de acordo com dados do Banco Central. A justificativa, segundo especialistas, está na perda de atratividade financeira das operações para compra de veículos, o carro-chefe do segmento, com as reduções das taxas de juros do Crédito Direto ao Consumidor (CDC) e redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI). Com esse cenário, o mercado muda de estratégia, com foco nas empresas.

No total, a queda chegou a 15,2% no ano e a 31,2% em relação a maio do último ano, com saldo de R$ 51,929 bilhões. A participação do leasing no Produto Interno Bruto (PIB) foi de 0,5% em pessoa física e de 0,7% em jurídica, quando, em maio de 2011, o percentual era de 1% em ambos.

Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Leasing (Abel), o total imobilizado para a aquisição de veículos e afins chegou a R$ 28,975 bilhões até abril, o que corresponde a 64,67% do total. Mas um ano atrás, em abril de 2011, o percentual era de 76,98%, com a soma de R$ 46,332 bilhões.

Para Osmar Visibelli, professor da universidade Anhembi Morumbi, a principal justificativa da queda geral está na redução das taxas de juros. "O leasing não tem aqui a mesma cultura dos Estados Unidos entre os consumidores, que desejam adquirir o bem, e com a redução das taxas o crédito fica mais atrativo. Ainda há os planos das montadoras."

Entre os cinco grandes públicos, as taxas para compra de automóveis variam de 0,90% a 1,5% ao mês, desde abril. Já em maio, o Ministério da Fazenda anunciou a retirada do IPI para carros de até mil cilindradas e o reduziu em outros modelos.

Celso Grisi, professor de Macroeconomia da Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras (Fipecafi) e diretor-presidente do Instituto de Pesquisa Fractal, concorda e diz que houve depreciação do valor. "No leasing, o proprietário paga por mês e depois há um valor residual, que está mais elevado do que o valor do carro. A grande queda é a falta de atrativos financeiros, além de ter crédito e valores muito baixos."

Para os especialistas, a modalidade de arrendamento mercantil não será extinta, apenas migra para outras modalidades, principalmente para a compra de máquinas e equipamentos e aeronaves pelas companhias aéreas. "Deixar de existir não acredito, mas não há tendência para ganhar mercado e há possibilidades entre as empresas. Para companhias de transporte aéreo, por exemplo, não vale a pena comprar um avião, mas sim praticar o leasing por conta da modernização dos modelos", detalha o professor Osmar Visibelli.

Nos números do Banco Central, até maio, a queda é menos acentuada entre o ramo de pessoa jurídica, de 9,5% no ano e de 19,7% na comparação com maio do ano passado. O saldo total ficou em R$ 30, 388 bilhões.

Os números da Abel, até abril, demonstram a mudança da participação. Enquanto veículos caiu de 76,98% para 64,67%, o total imobilizado no arrendamento mercantil para máquinas e equipamentos subiu de 14,94% em abril de 2011 para 26,50% no mesmo mês de 2012. Já em aeronaves elevou, no mesmo período, de 1,56% para 2,47%.

Entre os bancos, Itaú Leasing mantém a liderança, com 21,57% de participação do mercado, com valor presente de R$ 11,611 bilhões até abril e 440,159 mil contratos. Em abril de 2011, a participação de mercado do Itaú era de 20,87%, com R$ 12,793 bilhão e 520,570 mil contratos.

O Bradesco Leasing tem 12,59% de market share, R$ 6,763 em valor presente e 93,054 mil contratos. O valor e o volume também eram superiores em abril de 2011, de R$ 8,475 bilhões e 502,841 mil, respectivamente.

 

Fonte: DCI - 05/07/2012