Inadimplência sobre financiamento de veículos bate novo recorde em abril

VENCESLAU BORLINA FILHO

A inadimplência sobre financiamentos para compra de veículos (CDC pessoa física) bateu novo recorde em abril, atingindo 5,9% ao mês. A alta no período em relação a março foi de 0,2 ponto percentual, divulgou nesta quarta-feira a Anef (Associação Nacional das Empresas Financeiras das Montadoras). Em abril de 2011, a inadimplência era de 3,2%.

Os dados de abril são anteriores à redução do IPI para veículos automotivos, que foram anunciados pelo governo no mês seguinte. Naquele mês as vendas caíram e abril teve o pior desempenho para o setor desde 2009. Em maio as vendas aumentaram, puxadas pela redução do IPI. No mesmo mês a produção também aumentou.

Para o presidente da Anef, Décio Carbonari, as causas do aumento da inadimplência em abril são a perda de poder aquisitivo decorrente da inflação mais elevada, o crescimento do endividamento das famílias e também a dificuldade dos clientes em ter acesso a novos empréstimos consignados, que se tornaram mais caros com as medidas macroprudenciais tomadas em 2011.
"O mais importante sempre é que as pessoas tenham uma compreensão clara de quanto ganham e de quanto gastam por mês, fazendo e controlando seu orçamento para que tenham certeza de que poderão arcar com as prestações do financiamento e evitar surpresas no decorrer do mesmo", disse o presidente.

A taxa de inadimplência considera os atrasos acima de 90 dias. O primeiro recorde, de 5,52%, havia sido batido em fevereiro. A comparação é com a série histórica do Banco Central, iniciada em 2000.

Segundo dados da Anef, o saldo total das carteiras de financiamentos de veículos (CDC e leasing) fechou o mês de abril em R$ 200,7 bilhões, uma alta de 5,3% sobre o mesmo período de 2011, mas 0,3% menor que no mês de março (R$ 201,4 bilhões). Na análise dos dados da última década, esta foi a primeira vez que ocorreu uma redução do saldo em relação ao mês anterior.

O saldo de crédito para aquisição de veículos do mês de abril corresponde a 4,7% do PIB nacional (estimado em R$ 4,237 trilhões), frente a 4,9% no mesmo período de 2011 e representa 9,6% do total do crédito do Sistema Financeiro Nacional e 29,8% do total do crédito destinado às pessoas físicas.

De acordo com Carbonari, com as medidas de incentivo ao setor anunciadas pelo governo em maio --redução do IPI e IOF--, é possível que o saldo referente ao mês de maio ainda não apresente grandes alterações. "Mas a tendência é que também os clientes de maior renda voltem a realizar financiamentos e que uma maior faixa de clientes passe a ter condições de financiar seus veículos", disse.

No mês de abril foram liberados R$ 6,7 milhões para aquisição de veículos financiados (CDC), 13,2% menos que em março (R$ 7,7 milhões) e 12% menos que no mesmo período de 2011 (R$ 7,6 milhões).

Durante o período, a taxa média de juros aplicada pelo mercado estava em 1,95 % ao mês, enquanto a média praticada pelas as associadas da Anef estava em 1,5%. Nos novos contratos, os planos de financiamento mantiveram a média de 41 meses, sendo que o prazo máximo oferecido permaneceu em 60 meses.

Segundo a associação, as modalidades de pagamento nas compras de veículos têm apresentado uma variação importante nos últimos anos. Os contratos de leasing que já representaram 38% do montante em 2008, hoje quase inexistem, sendo responsáveis por apenas 4% dos pagamentos e ficando restritos a vendas à pessoa jurídica.

Os pagamentos à vista já atingem 39% das aquisições, enquanto os financiamentos com CDC representam 49%. "Vale ressaltar o substancial aumento das cartas de crédito de consórcio que desde 2008, quando representavam 4% dos pagamentos nas vendas de veículos, crescem em média 1 p.p. ao ano e neste primeiro quadrimestre foram responsáveis por 8% destas vendas", disse Carbonari.

Veículo: Folha.com 06/06/2012