Maioria das empresas ignora novo padrão de contabilização de leasing

SÃO PAULO - As mudanças no modelo de contabilização das operações de leasing, que estão hoje em discussão nos órgãos internacionais de contabilidade, passam distante do conhecimento de boa parte das companhias. Mais da metade (54%) de um universo de 2.800 empresas no mundo não está a par das alterações que estão por vir e que devem ter impacto substancial nos seus retratos financeiros. É o que aponta um levantamento da firma de auditoria Grant Thornton.

No Brasil, a parcela de desconhecimento sobre as novas regras em análise num total de 200 companhias pesquisadas sobe para 64%. “O que antes aparecia apenas dentro da demonstração de resultado agora deve afetar o balanço patrimonial”, explica Nelson Barreto, sócio da Grant Thornton Brasil.

Antes da adoção do novo padrão contábil (IFRS), o leasing era registrado apenas como despesa de arrendamento mercantil, como se fosse um aluguel, na demonstração de resultado do exercício. Se aprovadas as mudanças, ele deverá aparecer como despesa de amortização e de juros, além de ser contabilizado no ativo e no passivo, a valor presente.

As alterações são complexas e, não por acaso, foram alvo de muitas críticas durante audiência pública internacional sobre o tema. Segundo a pesquisa da Grant Thornton, 36,8% das companhias que afirmaram ter conhecimento das discussões sobre o leasing não aprovam as mudanças sugeridas, 21,4% não souberam responder e 41,8% concordaram com as alterações.

O maior impacto das mudanças, segundo 33,2% das companhias, é o aumento nos custos e na complexidade dos relatórios, enquanto apenas 15,4% apontam a melhoria da transparência para os investidores. Para outros 12,4%, o novo padrão altera, principalmente, a maneira de estruturar o financiamento de transações futuras.

Veículo: Valor - 27/10/2011