TAM revisa para baixo plano de frota

A previsão de desaceleração do crescimento do transporte aéreo de passageiros em 2012, por causa do cenário de crise mundial, obrigou ontem a TAM a revisar para baixo seu plano de frota e a reduzir a frequência de voos para a Europa. A TAM desistiu de incorporar quatro aviões no ano que vem, quando terá 159 unidades e não mais 163, conforme previsto inicialmente. Também deixará de operar seis voos do Rio para Londres e Frankfurt.

 Na rota inversa, a regional Trip, que negocia com a própria TAM a venda de 31% de seu capital, deve anunciar amanhã a compra de mais de uma dezena de turboélices ATR-72. Azul e Gol informaram que os seus planos de frota para o ano que vem permanecem inalterados.
 
"O mundo vai crescer menos em 2012. Estamos adequando a oferta com a demanda", disse ao Valor, o presidente da TAM, Líbano Barroso. De acordo com ele, a tendência é a de a demanda por voos domésticos crescer no patamar de 10% no ano que vem, diante dos 18% que a TAM projeta para até o fim deste ano.
 
A Gol vai encerrar 2011 com 115 aviões, mas planeja trazer mais quatro em 2012, totalizando 119 aeronaves. A Azul não revela o plano de 2012, mas o diretor de comunicação e marca da Azul, Gianfranco Beting, afirma que não haverá mudança. O plano de frota da Azul em 2011 prevê a entrega de 22 aeronaves, encerrando o ano com 48 aviões. "Não pretendemos cancelar, adiar ou adiantar a entrega de aviões", disse Beting.
 
A Trip deverá encerrar 2011 com 57 aeronaves. O plano inicial para 2012, mas que deverá ser revisado para cima amanhã, previa uma frota de 70 aviões, entre modelos da Embraer, da família 195, e o turboélice franco italiano ATR 72.
 
Apesar de não ampliar a frota doméstica para 2012, a TAM vai aumentar a capacidade em 4%. Isso porque aeronaves que estão entrando na frota durante este ano só completarão um ano cheio de operação em 2012. Além disso, Barroso lembra que, apesar da redução de voos para a Europa, vai haver uma frequência adicional entre São Paulo e Orlando e a nova rota para o México, a partir do dia 30 de outubro.
 
Também a partir do mês que vem, a TAM vai deixar no chão dois aviões para voos de longo curso da Airbus, modelo A340, para 267 passageiros e com quatro motores (turbinas). Passará a usar o A330, com 223 assentos e mais econômico (duas turbinas).
 
Com a troca, a TAM vai economizar até US$ 3,2 milhões por mês. A operação de cada A340 custa US$ 2,4 milhões. Com eles parados, só há o custo de arrendamento (leasing), de até US$ 800 mil por mês, e cujos contratos vencem no fim de 2013. A empresa, líder do mercado nacional, ainda vai decidir o que fazer, mas a tendência é a de sublocar as aeronaves para outra empresa.

Veículo: Valor Econômico - 31/08/2011