Ganho com crédito, títulos e valores mobiliários

Impulsionado pelas receitas com operações de crédito e pelo resultado com títulos e valores mobiliários, o Banco do Brasil, no segundo trimestre, teve um resultado recorrente acima do esperado ao somar R$ 3,2 bilhões, com crescimento de 38,8% sobre o mesmo período do ano anterior e retorno anualizado sobre o patrimônio líquido médio (RSPL) de 26,6%.

O resultado recorrente, sem eventos extraordinários no semestre somou R$ 6,2 bilhões, crescimento de 40,4% em relação ao apurado no mesmo período de 2010 e retorno anualizado sobre o RSPL de 24,9%. O lucro líquido foi de R$ 6,3 bilhões. Também contribuiu para o bom resultado a estratégia do BB em diversificar suas fontes de receita e aperfeiçoar o atendimento ao segmento de varejo vem apresentando resultado.

Mesmo comemorando o resultado, o presidente do BB, Aldemir Bendine, disse que o Brasil pode ser afetado pela crise econômica global que, na sua opinião, deveria ser combatida com aperto fiscal do governo e não com mais oferta de crédito.

Receitas 

As receitas comerciais (margem financeira, rendas com tarifas e resultado das operações com seguros, previdência e capitalização) cresceram 13,1% sobre o mesmo período do ano anterior e alcançaram R$ 31.06 milhões. No semestre, a razão entre essas receitas e base média de clientes produziu R$ 564, crescimento de 9,8%.

As receitas financeiras, impulsionadas pela expansão do crédito, totalizaram R$ 47,3 bilhões no semestre, 24,3% superior às do mesmo período do ano anterior. Desse total, as receitas provenientes das operações de crédito e arrendamento mercantil somaram R$ 31,2 bilhões ante aos R$ 25,9 bilhões do primeiro semestre de 2010, registrando expansão de 20,3%.

O índice de operações vencidas há mais de 90 dias permanece em queda, atingindo níveis pré-crise com 2%. O risco médio da carteira (razão entre a PCLD - Provisão para Crédito de Liquidação Duvidosa requerida e a carteira de crédito) melhorou 80 pontos base em doze meses e alcançou 4,2%. No Sistema Financeiro Nacional, este indicador encerrou junho em 5,6%.

A ampliação das receitas operacionais e o controle das despesas administrativas proporcionaram melhoria no índice de eficiência (quanto menor melhor) que registrou redução de 290 pontos base no acumulado em 12 meses, contabilizando 41,1%.

Carteira de crédito 

Aldemir Bendine disse, também, que a carteira de crédito da instituição vai ter maior participação de empresas, enquanto o segmento de varejo, de empréstimos à pessoa física, vai ter um crescimento menor. O banco encerrou o segundo trimestre com crescimento de 17,4% na carteira de crédito, ao somar R$ 383,38 bilhões.

No semestre a carteira de crédito do Banco do Brasil, que inclui garantias prestadas e os títulos e valores mobiliários privados, atingiu R$ 421,3 bilhões, valor que representa crescimento de 20,2%. A participação do Banco do Brasil no mercado doméstico de crédito foi de 19,6% em junho de 2011.

Risco de crédito 

As despesas de provisão para risco de crédito, refletindo redução consistente dos índices de inadimplência, somaram R$ 5,7 bilhões no semestre, representando queda de 3,7% sobre o mesmo período do ano anterior. O executivo, disse que o banco está preparado para os possíveis impactos da crise que atinge os Estados Unidos e a Europa na economia brasileira. "Acredito que a conseqüência será uma instabilidade de mercado. Nada indica um aumento da inadimplência no próximo semestre", afirmou durante entrevista coletiva sobre o balanço do BB.

O destaque foi para o crédito às pessoas físicas que alcançou R$ 122,6 bilhões ao final de junho de 2011, evolução de 21,2%. O crédito consignado que atingiu R$ 47,9 bilhões, expansão de 18,4% em 12 meses, e do CDC Salário, com saldo de R$ 14,6 bilhões e crescimento de 25,2% frente ao mesmo período do ano anterior. O BB encerrou o semestre com 32,1% de participação de mercado no crédito consignado, mantendo sua posição de liderança no segmento.

O crédito imobiliário mantém sua trajetória de expansão com saldo de R$ 4,2 bilhões em junho, evolução de 99,5% em 12 meses. As operações de financiamento a veículos também registraram desempenho ascendente, totalizando R$ 30,5 bilhões ao final do semestre, crescimento de 34,1% frente ao primeiro semestre de 2010, com 680 mil veículos financiados.

Agronegócio 

Com crescimento de 14,7% nos últimos 12 meses e saldo da carteira de crédito em R$ 81,5 bilhões, o desempenho do agronegócio foi um dos principais fatores que impulsionaram o crescimento BB no semestre. Com o equivalente a 61,9% de todo o crédito do agronegócio no mercado brasileiro, o BB é o atual líder do segmento no país. Do total desembolsado para a safra 2010/2011 (R$ 38,8 bilhões), R$ 24 bilhões foram destinados para o custeio agrícola e R$ 8,2 bilhões para projetos de investimento.

Em fevereiro, o BB lançou uma linha de financiamento para micro e pequenas empresas do segmento. Foram realizadas 3.516 operações por meio dessa linha e desembolsados R$ 642,6 milhões no primeiro semestre. "Foi uma grande surpresa para nós os bons resultados dessa carteira", afirmou Bendine. Outro ponto positivo do segmento foi o crédito rural destinado à pessoa jurídica, que teve um crescimento de 28,6% em relação ao mesmo período do ano anterior e saldo de R$ 28,9 bilhões.

Investimentos no exterior 

Quanto aos investimentos no exterior e a compra de títulos do Tesouro norte-americano, Bendine declarou que não haverá mudanças na estratégia do banco, "devido à conjuntura, vamos apenas olhar com mais prudência para as aquisições que estavam em estudo e aguardar que o panorama esteja mais claro, mas continuamos acreditando na plena capacidade de pagamento dos Estados Unidos".

Sobre a recente aquisição do banco norte-americano EuroBank, compra que aguarda ainda a aprovação dos órgãos reguladores, o presidente do BB afirmou que "o foco é o atendimento das comunidades brasileira e hispânica residentes naquele país. A possível recessão não afeta nossas previsões de crescimento orgânico".

Bendine ressaltou que "não há como relacionarmos os dois momentos crise de 2008 e deste ano. Na minha opinião, as conseqüências da crise atual serão de reajustes fiscais nos países de origem."

O executivo disse ainda que a exposição do Banco do Brasil à dívida dos Estados Unidos é de US$ 1,3 bilhão e que a instituição não tem planos para aquisições no curto prazo por causa da crise econômica global.

Veículo: Monitor Mercantil - 10/08/2011